segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Lançamentos da "Classicline" (Setembro / 2013)


Os 300 de Esparta (The 300 Spartans - 1962)
O diretor Rudolph Maté, foi o responsável pela fotografia de obras imortais da Sétima Arte, como “A Paixão de Joana d'Arc” (1928) e “Gilda” (1946). Com “Os 300 de Esparta”, ele se aliou ao fotógrafo Geoffrey Unsworth (de “2001 – Uma Odisseia no Espaço” e “Superman – O Filme”) para contar um pouco da história da Grécia e de seu bravo herói Leônidas (Richard Egan), que desafiou o conceito de impossível, ao comandar 300 guerreiros contra um exército de aproximadamente 250.000 homens.

Este conto de coragem e sacrifício ajudou a delinear o curso da civilização ocidental, legando para filhos e netos a necessária esperança, ínfima outrora, para seguir na batalha. O roteirista de quadrinhos Frank Miller (do clássico “Batman: O Cavaleiro das Trevas”) assistiu esse filme quando era criança, ficando profundamente marcado pela trama, que considerou a causadora da mais importante mudança em sua vida criativa. Anos depois, ele escreveria “300”, que acabou sendo adaptado para o cinema em 2006, com direção de Zack Snyder.

O roteiro trabalha com temas como “democracia vs. despotismo” (com uma sutil analogia à Guerra Fria), sendo não somente um ótimo exemplar do gênero “Espada e Sandálias”, como também uma excelente aula de História. Um dos poucos filmes que se propõem a ser fiel aos fatos. O elenco inclui o excelente Ralph Richardson (como Temístocles) e David Farrar (como o arrogante Xerxes), dando suporte para que Egan consiga transmitir a força interna de seu personagem. Interessante perceber que as batalhas conseguiam ser mais empolgantes, mesmo sem todas as facilidades tecnológicas modernas. Talvez porque, diferente de “300”, neste o foco está nas motivações individuais dos personagens, não no estilo e nos efeitos em computação gráfica. Uma obra que melhora em cada revisão. Um conto que deve ser passado de pai para filho, mostrando que a determinação de poucos pode modificar a realidade de muitos.


O Preço da Glória (Battleground - 1949)
Às vésperas do ano novo, um grupo de soldados americanos que está na França é designado a seguir para a Bélgica, numa tentativa ousada de contra-ataque frente aos nazistas.


Um tesouro que a “Classicline” resgata para os cinéfilos dedicados. Indo na contramão dos filmes que abordavam o tema de forma panfletária em sua época, o roteiro humaniza os soldados, tornando-os vulneráveis. Fugindo do discurso patriótico que enobrecia os jovens que se alistavam, cada personagem enfrenta uma batalha interna, questionando a necessidade dos atos que pratica e desejando ir embora daquele inferno. A coragem do diretor William Wellman e do produtor Dore Schary, que confrontou Louis B. Mayer para que a obra fosse realizada, serviu como modelo para cineastas como John Irvin, em “Hamburger Hill” e Oliver Stone, no excelente “Platoon”. 


O Terceiro Homem (The Third Man - 1949)
Um escritor americano chega a Viena, após a Segunda Guerra, e descobre que seu amigo Harry Lime foi morto de forma misteriosa. Ele passa a investigar o caso e descobre várias inconsistências nas explicações dos amigos de Harry. 


Um dos melhores filmes da história do cinema, um marco do “Noir” com uma fotografia excepcional (Robert Krasker, de “Desencanto”, obra-prima de David Lean), que ainda não tinha sido lançado oficialmente no Brasil em DVD. Por mais que Orson Welles seja o elemento mais lembrado, o maior mérito é da refinada direção de Carol Reed. Welles gravou sua participação em alguns dias, objetivando conseguir a verba para terminar seu projeto “Othello”, colaborando com alguns diálogos memoráveis de seu personagem (como aquele sobre os relógios cuco e a Suíça, inspirado por uma peça húngara). Muito foi dito sobre uma colaboração de Welles na direção, devido às perspectivas distorcidas, enquadramentos oblíquos e o uso inteligente da profundidade de campo, porém tudo isso já havia sido feito por Krasker no filme anterior de Reed: “O Condenado” (Odd Man Out), influenciado pelo expressionismo alemão. "O Terceiro Homem" é um filme que continua impactante e belo como no dia de sua estreia. 


Julia (1977)
Julia (Vanessa Redgrave) e Lillian Hellman (Jane Fonda) são amigas de infância e terão seus destinos completamente mudados com a vinda da Grande Guerra e a ascensão do nazismo. Julia, que vive na Europa, pede para sua amiga Lillian, que se tornara uma escritora famosa, que contrabandeie dinheiro para as vítimas do nazismo.


A estreia de Meryl Streep no cinema, que por pouco não interpretou a protagonista. O diretor Fred Zinnemann (de "Uma Cruz à Beira do Abismo") ficou preocupado por ela não ser conhecida e acabou entregando o papel para Vanessa Redgrave. O filme possui alguns problemas de ritmo, porém compensa no desempenho do elenco. Considero este o melhor trabalho de Jane Fonda (Hellman), que captura com exatidão o conflito interno da personagem, entre o idealismo e a autoindulgência.


A Múmia (The Mummy - 1932)
Em 1921, uma equipe de arqueologistas no Egito liderados por Sir Joseph Whemple descobre a múmia do príncipe Imhotep, que vivera há 3.700 anos e que, por ter cometido um sacrilégio, teve como castigo ser enterrado vivo. 


O alemão Karl Freund, responsável pela fotografia de “Drácula”, foi escalado para dirigir a obra que teria a missão ingrata de manter a “Universal” no caminho da glória conquistada pelo já citado “Drácula” e “Frankenstein”. Mais calcado no clima, que no “monstro” (vivido por Boris Karloff), a produção ousou ao abordar um personagem que não havia se estabelecido no inconsciente coletivo do público na literatura (como os dois anteriores). Sem um molde para se basear, o roteiro segue em vários momentos a fórmula de “Drácula” (grande semelhança entre o “Dr. Muller” e o “Van Helsing”, por exemplo). O tempo foi generoso com o filme, sendo considerado hoje um dos melhores do ciclo de monstros da “Universal”.

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