terça-feira, 11 de março de 2014

Lançamentos da "Classicline" (Fevereiro / 2014)


Genghis Khan (1965)
Khan (Omar Sharif), ainda um menino chamado “Temujin”, sofre perseguições do rival Jamuga (Stephen Boyd) e é escravizado até se rebelar e formar um grande exército, reunindo os clãs rivais e unificando o povo mongol sob o seu comando. Na China, ele recebe seu título de Imperador. Durante a sua vida, ele conquista todo o Oriente, Ásia e chegaria até as portas da Europa, reunindo um dos maiores impérios da história da humanidade. 


Como em toda produção que se baseia em eventos reais, são tomadas grandes liberdades poéticas, mas o que importa é se o produto se impõe como um entretenimento de qualidade. E “Genghis Khan” excede as expectativas nesse sentido, adotando um tom leve e muito bem-humorado (especialmente com o personagem vivido por Telly Savalas), além de inteligentemente emular de “Ben-Hur” a estrutura narrativa da vingança de Khan contra Jamuga (além da arte do pôster), coerentemente vivido pelo Messala da produção citada, Stephen Boyd. Achei especialmente válida a caracterização de Temujin/Khan, evitando retratá-lo apenas como um conquistador sanguinário ambicioso, mas sim como um amálgama de um guerreiro e um unificador dos Mongóis, além de um pai amável, fugindo da caricatura.


Assim Estava Escrito (The Bad and The Beautiful – 1952)
Baseado na obra de George Bradshaw, a trama relata a ascensão e queda de um poderoso e tirânico magnata de Hollywood, como eram feitas as produções atrás das câmeras, o funcionamento e a atmosfera no mundo do cinema.


O diretor Vincente Minnelli, antes de iniciar carreira em Hollywood, sentia que os musicais estavam dominados por clichês, e ele passou a maior parte da década de 1930 revitalizando o gênero nos palcos de Nova Iorque. Por isso, quando o lendário produtor Arthur Freed retirou-o da Broadway em 1940, ele fez um acordo incomum: Minnelli iria simplesmente observar (sendo remunerado) nos bastidores de uma produção musical por um ano. Caso ele não se convencesse de que havia possibilidade de revitalizar o gênero, ele voltaria para os palcos. O resultado foi que ele criaria nos anos seguintes alguns dos melhores musicais da história do cinema. Mas a experiência que ele obteve durante aquele ano, como observador nos bastidores da indústria, serviu como modelo para o excelente “Assim Estava Escrito”, um estudo antropológico sobre essa fábrica de sonhos. O personagem de Kirk Douglas é uma versão do produtor David O. Selznick, um homem intensamente criativo e apaixonado pela Sétima Arte, que inspirava lealdade e ódio, sabendo manipular qualquer pessoa que necessitasse para seus objetivos. A linda fotografia de Robert Surtees, em preto e branco, capta a melancolia da morte daquela velha Hollywood (como em “Crepúsculo dos Deuses”). Um filme indispensável na coleção de todo cinéfilo dedicado.


Cativa e Cativante (A Damsel in Distress – 1937)
Jerry (Astaire), um artista americano em Londres, se envolve numa aposta, sendo o escolhido para salvar Lady Alyce (Joan Fontaine), a filha do Lorde, de um casamento arranjado com o líder de orquestra Reggie (Ray Noble). 


Dirigido por George Stevens, o primeiro filme de Fred Astaire na RKO sem a presença de Ginger Rogers não foi bem recebido pelo público, mas visto hoje, fora daquele contexto, revela-se um encanto tão satisfatório quanto “Ritmo Louco”, que Stevens havia dirigido anteriormente com a dupla. Joan Fontaine não dançava bem, mas exala carisma em cada cena. A trilha sonora do grande George Gershwin inclui a belíssima “A Foggy Day (in London Town)”, além de “Nice Work If You Can Get It”, que é uma das melhores cenas de dança da carreira de Astaire, onde ele sapateia interagindo com uma bateria. Como cereja no bolo, o precioso alívio cômico do grande (e pouco reconhecido no Brasil) George Burns.

A distribuidora também está lançando o excelente: Pérfida (The Little Foxes – 1941), mas irei fazer, em breve, um texto especial sobre o filme.

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