sexta-feira, 16 de maio de 2014

TOP - Espada e Magia


A excelente editora “Darkside Books” está lançando no mercado o segundo volume da elogiada “Trilogia dos Espinhos”, de Mark Lawrence, intitulado: “The King of Thorns”. Aproveitando o gancho temático, irei listar os meus dez filmes favoritos no subgênero “Espada e Magia” (Sword and Sorcery), com breves comentários. Tentei ser o mais abrangente possível, abraçando todas as vertentes, evitando aqueles que não resistiram ao teste do tempo em revisão.


10 – A Lenda (Legend – 1985)
Jack (Tom Cruise) é o morador de uma floresta encantada, habitada também por seres feéricos, como elfos e unicórnios, além das fadas, que tem de libertar a Princesa Lily (Mia Sara) do Senhor das Trevas (Tim Curry), sob a ameaça de todo o mundo tornar-se um lugar gelado.


O diretor Ridley Scott havia acabado de conquistar a atenção do mundo com seus dois excelentes trabalhos anteriores ("Alien - O Oitavo Passageiro" e "Blade Runner - O Caçador de Androides"), quando decidiu mudar completamente o rumo de sua carreira e investir em um tema que desafiou as expectativas dos espectadores. Um filme que captasse o inconsciente coletivo das memórias lúdicas das crianças, procurando traduzir em imagens o vasto e fértil terreno da fantasia, nosso primeiro contato com o mundo, através das histórias contadas pelos nossos pais. 


9 – O Feitiço de Áquila (Ladyhawke – 1985)
Esse filme retrata a história do amor entre Navarre e Isabeau. Ambos são vítimas de uma maldição do invejoso e traiçoeiro Bispo de Áquila. Durante o dia, Isabeau transforma-se em falcão. À noite, Navarre tornar-se um lobo. Destinados a nunca se encontrar, eles tentarão pôr um fim ao feitiço.


Por mais que a trilha sonora equivocada, com sintetizadores emoldurando o cenário medieval, possa ter datado terrivelmente o filme, existe algo nele que se mantém forte: a poesia trágica que existe no eterno desencontro dos amantes, interpretados por Michelle Pfeiffer e Rutger Hauer. A cena de poucos segundos em que eles conseguem se enxergar como humanos continua tão emocionante quanto em sua época.


8 – A Bela Adormecida (Sleeping Beauty – 1959)
Era uma vez uma linda princesa chamada Aurora, que sofreu uma terrível maldição: ao completar 16 anos, espetaria o dedo no fuso de uma roca e cairia em um sono eterno. Mas as três fadas madrinhas de Aurora descobrem uma forma de quebrar o feitiço. Um beijo de amor do corajoso príncipe Felipe poderá acordar a princesa adormecida desde que ele enfrente a ira da bruxa Malévola.


Esse clássico de Walt Disney normalmente é ignorado em listas similares, mas preenche todos os requisitos necessários, além de ser uma das animações mais ricas em simbolismos do estúdio. Os longos cinco anos dedicados ao processo de animação são notados na beleza de cada estilizada cena.  E ter Tchaikovsky como inspiração musical é a refinada cereja do bolo.


7 – Fúria de Titãs (Clash of the Titans – 1981)
Adaptação do mito grego de Perseus, o filho de Zeus, e sua aventura para destruir Medusa e o monstro Kraken, a fim de salvar a Princesa Andrômeda, sua noiva.


A obra-prima de Ray Harryhausen (dirigida por Desmond Davis) mantém seu charme, ainda que o protagonista vivido por Harry Hamlin seja uma variação do “Cigano Igor”. A narrativa pode ser arrastada, mas assistir Laurence Olivier como Zeus compensa qualquer problema. Esse é o melhor momento do mestre na técnica do stop-motion, com cenas incríveis como a de Perseu dominando Pégaso, o confronto com a Medusa e o espetacular monstro Kraken.


6 – Uma Noite Alucinante 3 (Army of Darkness – 1992)
Ash (Bruce Campbell) é sugado por um vórtice e é jogado nos primórdios da Era Medieval, onde terá que encontrar o livro dos mortos, que tem o poder de enviar Ash de volta para sua época, mas não antes de enfrentar um exército de demônios.


Estou levando em consideração o corte do diretor, que considero superior em vários sentidos. Sam Raimi entrega uma bela homenagem aos esforços pioneiros de Ray Harryhausen, com grande senso de humor negro e intensa energia, nessa evolução do conceito iniciado em “A Morte do Demônio”. O horror é deixado de lado, valorizando o carisma de Bruce Campbell como o desastrado herói Ash.


5 – A Princesa Prometida (Princess Bride – 1987)
Bela princesa faz pacto de amor com um camponês, mas quando recebe a notícia de que ele morreu vítima do cruel pirata Roberts, decide aceitar o pedido de casamento de um príncipe sinistro. Nas vésperas do casamento, contudo, ela é raptada por um trio muito estranho, constituído por um exímio espadachim que possui seis dedos, um gigante retardado de força descomunal e um intelectual baixinho especialista em resolver enigmas.


Esse é daqueles filmes que você assiste quando criança e só percebe suas várias camadas de interpretação quando o revê já adulto. O diretor Rob Reiner, com auxílio do escritor William Goldman (autor da obra), consegue transpor para o roteiro toda a ironia contida no livro. A visão de um mundo fantástico, através dos olhos de uma criança. E algumas frases são antológicas, como: “A vida é dor. Quem diz o contrário, só pode estar vendendo alguma coisa”.


4 – Highlander – O Guerreiro Imortal (Highlander – 1986)
Um guerreiro imortal, após séculos lutando contra outros de seu tipo, terá o seu maior desafio em 1985, na cidade de Nova York. Ele deverá lutar contra um também imortal bárbaro para conquistar a habilidade espiritual do conhecimento total, que lhe dará poder quase infinito.


Com uma ótima trilha sonora do grupo “Queen”, nem mesmo a apatia de Christopher Lambert pode prejudicar a experiência. Com forte inspiração na “Jornada do Herói”, do escritor Joseph Campbell, o filme de Russel Mulcahy abraça o contexto apocalíptico que dominava a época de profunda recessão econômica na América, propondo a existência de uma sociedade secreta de “príncipes do universo”, guerreiros imortais fadados a dominar os humanos. O protagonista, como um homem de várias eras, não está associado a modismos, ele é de uma essência atemporal, simbolizado imageticamente pela transição de cena onde vemos seu rosto “tornar-se” o de Mona Lisa. Connor MacLeod representa o que de melhor existe na natureza humana: Arte. E ter Sean Connery no elenco também não faz mal...


3 – Conan, O Bárbaro (Conan the Barbarian – 1982)
Após seus pais terem sido mortos pelo líder de um culto sanguinário e sua gangue de brutais saqueadores, Conan é submetido a uma infância de impiedosa escravidão, apenas para tornar-se um gladiador para diversão de seus captores. Após ser enviado para o Oriente para aperfeiçoar suas habilidades de batalha, ele é libertado e inicia uma perigosa e sangrenta vingança contra o massacre de seus pais.


Subestimado por muitos, o roteiro eficiente de John Milius e Oliver Stone capta perfeitamente a essência da obra de Robert E. Howard. Schwarzenegger se impõe fisicamente como o bárbaro, deixando nas batutas do compositor Basil Poledouris a responsabilidade de expressar suas emoções. E a trilha sonora brutalmente primitiva é impecável, o elemento mais forte do filme.


2 – Excalibur (1981)
Uther Pendragon entrega a mística espada Excalibur para o mágico Merlin. No seu leito de morte, Uther enterra a espada em uma pedra, e o próximo homem que conseguir retirá-la será o novo rei da Inglaterra. Anos depois, Arthur, o filho bastardo de Uther consegue retirar a espada da pedra e se torna rei.


O filme dirigido por John Boorman é simplesmente o melhor a abordar as crônicas arturianas, mantendo-se fiel ao “A Morte de Arthur”, de Thomas Malory. Ele retrata fielmente a Era Medieval, com uma direção de arte primorosa, que traduz em imagens a transição da era da magia para a era da razão. Como esquecer a poderosa trilha sonora, com Richard Wagner e Carl Orff emoldurando cenas épicas?


1 – O Senhor dos Anéis (The Fellowship of the Ring - 2001, The Two Towers - 2002, The Return of the King - 2003)

A adaptação cinematográfica de Peter Jackson para “O Hobbit” pode estar sendo vítima de sua aversão pela sala de edição (problema crasso em sua versão de “King Kong”), mas sua trilogia original é uma coleção de acertos, um marco no cinema de fantasia. A sua adaptação para o personagem Aragorn (Viggo Mortensen) é um exemplo de sua sagacidade. Nos livros, Passolargo é um marginal, fazendo o seu caminho fora das fronteiras de uma civilização em declínio. Quando ele se revela, mostra-se um mito dentre seres comuns e ordinários, simbolizados pelos Hobbits.

A beleza da saga de Tolkien não reside nas batalhas e na riqueza do mundo fantástico que ele criou, mas sim naqueles elementos mitológicos facilmente identificáveis em nossas vidas comuns. A corrupção do caráter humano, a ambição, a resignação perante a inevitável mortalidade, a coragem que nasce forjada no calor dos desafios mais extenuantes e os laços de amizade que nos fazem “carregar nos ombros” (tal qual Sam) os irmãos feridos em batalha.
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Obrigada, Octavio Caruso! Adoro sua produção, eu me atualizo, descubro coisas que gosto, e isso não tem preço (me prazer de ver, viver/conhecer&reconhecer). Admiro seu talento, amigo! <3

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  2. Gosto muito desse gênero. Essa lista deveria ter mais de dez itens. O tempo passa e as coisas vão para o arquivo da emoção. Quando temos bons lembretes como esse, renova-se o efeito que tiveram quando da primeira vez. Obrigado.

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