Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

0

Não é muito fácil estipular um mérito que identifique especificamente um filme político, já que a política é um elemento que move tramas dos mais diversos gêneros. “O Poderoso Chefão – Parte 2”, por exemplo, é profundamente político, mas devido à qualidade do projeto, ele acabaria sendo colocado numa posição de destaque, tomando a frente de obras mais identificáveis no contexto proposto pela lista. Ele não entrou na lista final. Então, procurei ser o mais objetivo possível, organizando com base em meus favoritos, aqueles que eu revi e se mantiveram imperturbáveis à ação do tempo. Tentei abraçar vários gêneros e propostas, chegando a um total de vinte produções.

 

20 – V de Vingança (V for Vendetta – 2005)

Na paisagem futurista de uma Inglaterra totalitária, o filme conta a história de uma pacata jovem que é resgatada de uma situação de vida e morte por um homem mascarado, conhecido apenas como “V”. Incomparavelmente carismático e extremamente habilidoso na arte do combate e destruição, ele inicia uma revolução quando convoca seus compatriotas a erguerem-se contra a tirania e opressão.

As máscaras de Guy Fawkes nas manifestações que tomaram o Brasil e o mundo de assalto já bastariam para mensurar o impacto político da obra. O mérito é do escritor Alan Moore, responsável pelo original nos quadrinhos, mas é inegável que o filme levou o conceito para um público muito maior.

bananas woody allen - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

19 – Bananas (1971)

Fielding Mellish (Woody Allen) está apaixonado por Nancy, uma ativista política. Ela não o corresponde, porque deseja como companheiro um grande líder nacional. Fielding, então, foge para São Marcos, onde se alia aos rebeldes locais, tornando-se Presidente do País.

A metralhadora verborrágica e pantomímica de Woody Allen, em uma de suas obras iniciais mais engraçadas, se volta dessa vez para a política ditatorial da América do Sul, compondo o revolucionário cujo rosto verdadeiramente deveria estampar as camisetas dos jovens.

interview - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

18 – Frost/Nixon (2008)

Por três anos, depois de renunciar ao cargo de presidente dos Estados Unidos, Nixon permaneceu em silêncio. Mas, no verão de 1977, o rígido e perspicaz comandante-chefe deposto aceitou participar de uma entrevista intensa para confrontar as perguntas sobre seu tempo na Casa Branca e o escândalo do Watergate que o levou à renúncia. Nixon surpreendeu a todos ao selecionar Frost como o apresentador a quem iria confessar tudo com exclusividade. Da mesma forma, a equipe duvidava da habilidade de seu chefe
para se segurar. Quando a câmera foi ligada, uma batalha entre os dois começou.

O diretor Ron Howard consegue captar a tensão crescente na histórica entrevista de Nixon ao subestimado David Frost. Um “jogo de xadrez” argumentativo de um homem experiente na arte da mentira e nos jogos políticos, enfrentando uma personalidade midiática sem muita respeitabilidade em sua área.

m2zAEyncV9CWz59DpS0tZ9PdKjD - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

17 – Um Grito de Liberdade (Cry Freedom – 1987)

Nos anos 1970, apartheid na África do Sul, Donald Woods é um jornalista branco que se torna amigo de Stephen Biko, o importante militante pelos direitos dos negros. Quando Biko é morto na prisão em 1977, Woods percebe a necessidade de divulgar a história do ativista, a perseguição sofrida, a violência contra os negros e a crueldade do regime.

A direção meticulosa de Richard Attenborough em um dos melhores “filme-denúncia” da década de oitenta, resgatando a memória e os ideais pacifistas do ativista anti-apartheid Steve Biko, interpretado com maestria por Denzel Washington.

jd4 - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

16 – Adorável Vagabundo (Meet John Doe – 1941)

Quando Henry Connell (James Gleason), seu editor, a demite, Ann Mitchell (Barbara Stanwyck), uma jornalista, publica sua última matéria, uma carta criada por ela e assinada por John Doe comunicando que cometerá suicídio no Natal em protesto contra corrupção e a pobreza, que invadem o país. Isto gera várias reportagens, nas quais Ann denuncia as injustiças sociais. Tal fato leva o jornal a procurar alguém para representar John Doe e o escolhido é Long John Willoughby (Gary Cooper), um vagabundo. Mas a popularidade de John cresce de tal maneira que os fatos saem do controle.

Uma poderosa crítica à política americana em pleno início da década de quarenta. Frank Capra discute o poder manipulativo da mídia, dez anos antes de “A Montanha dos Sete Abutres” (de Billy Wilder). Pioneiro em sua coragem, ainda que a obra mantenha o estilo esperançoso do diretor, especialmente em seu desfecho.

extrait 11481223 1 - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

15 – A Confissão (L’Aveu – 1970)

Em um país comunista do Leste Europeu, Gerard, vice-ministro de Relações Exteriores, é inexplicavelmente preso por seus superiores. No interrogatório, o objetivo é lhe arrancar, a qualquer custo, a confissão de crimes pelos quais ele não tem a menor ideia de estar sendo acusado.

O filme inicia como um thriller político, com o protagonista percebendo estar sendo vigiado por estranhos onde quer que vá, mas assim que o herói Kafkiano (assim como em “O Processo”, London se vê pagando um crime que desconhece que cometeu) inicia seu calvário, sendo algemado, vendado e forçado a caminhar em uma cela, o roteiro procura nos fazer sentir sua fome, sua sede e sua angústia por tentar conquistar alguns minutos
de sono. Seus carrascos clamam por uma confissão. A forma como Costa-Gavras evidencia
a cruel criatividade dos torturadores e a transformação física (e, ainda mais interessante, a psicológica) do protagonista, são os pontos altos da obra.

beingthere6 - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

14 – Muito Além do Jardim (Being There – 1979)

Chance (Peter Sellers), um homem ingênuo, passa toda a sua vida cuidando de um jardim e vendo televisão, seu único contato com o mundo. Ele nunca entrou em um carro, não sabe ler ou escrever, não tem carteira de identidade, resumindo: não existe oficialmente. Quando seu patrão morre, é obrigado a deixar a casa em que sempre viveu e, acidentalmente, é atropelado pelo automóvel de Benjamin Rand (Melvyn Douglas), um grande magnata que se torna seu amigo e chega a apresentá-lo ao Presidente (Jack Warden). Curiosamente, tudo dito por Chance ou até mesmo o seu silêncio é considerado
genial.

Além de todos os momentos brilhantes no filme, nunca me esqueço da linda cena em que Chance deixa sua casa pela primeira vez, ao som de “Also Sprach Zarathustra”. Mas diferente da obra-prima de Kubrick “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, aquele homem puro e honesto estava prestes a estabelecer contato com uma raça evolutivamente inferior: políticos.

peter sellers monologues best cover - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

13 – Dr. Fantástico (Dr. Strangelove – 1964)

Um general completamente insano, Jack Ripper, ameaça, durante uma reunião entre nações, neutralizar a U.R.S.S. com bombas nucleares, o que poderia gerar um Holocausto fulminante na Terra. Todos os outros membros fazem de tudo para evitar. Entre eles está o genial ator Peter Sellers, que retrata três das pessoas que podem impedir a tragédia: o Capitão britânico Mandrake, o presidente norte-americano Merkin Muffley e o alemão bêbado Dr. Fantástico.

Stanley Kubrick audacioso no auge da Guerra Fria, com a inesquecível cena do cowboy montado na ogiva nuclear, símbolo precioso da ideologia política americana. Impossível esquecer a clássica frase: “Vocês não podem brigar aqui. Isso é uma Sala de Guerra”.

30 - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

12 – A Queda – As Últimas Horas de Hitler (Der Untergang – 2004)

Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) trabalhava como secretária de Adolf Hitler (Bruno Ganz) durante a 2ª Guerra Mundial. Ela narra os últimos dias do líder alemão, que estava confinado em um quarto de segurança máxima.

O filme nos coloca na mente do ditador, refletindo o colapso do sistema político em suas ações cada vez mais intempestivas. Um ótimo retrato de como os partidos e nações inteiras podem confundir ufanismo com discurso e guerra com ação política.

tumblr m793sldrxj1r8shzk - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

11 – O Grande Ditador (The Great Dictator – 1940)

Em meio a Segunda Grande Guerra Mundial, judeus estavam sendo esmagados pelo preconceito alemão. Chaplin, genialmente, interpreta os dois protagonistas da história: o ditador Adenoid Hynkel (numa clara referência a Hitler) e o barbeiro Judeu.

Somente o discurso final de Chaplin já serviria como mérito para a inclusão do filme na lista. O gesto político mais sincero e contundente já filmado na história do cinema, nascido da angústia de um artista apaixonadamente íntegro perante uma sociedade cada vez mais corrompida.

1 162Hh8rkwBoE57YUSuOyKw - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

10 – Terra em Transe (1967)

Paulo é um jornalista que tenta mudar a situação ao planejar a ascensão de um candidato supostamente oposicionista chamado Vieira e buscando o apoio do maior empresário do país para deter o avanço de uma multinacional estrangeira sobre o capital do país. Tudo começou bem; porém, problemas sociais e a corrupção arruinaram sua intenção.

Na obra-prima de Glauber Rocha, o poeta intelectual Paulo (Jardel Filho) mostra-se como grande parte da sociedade, desesperado para encontrar um porto seguro nas promessas de algum líder, alguma voz ativa. Sua grande estatura e compleição rochosa escondem uma alma frágil e amedrontada. Ele abraça o recluso conservadorismo de Diaz (magnífico Paulo Autran), que lhe foi útil durante um tempo em sua escalada social, porém cujo verniz foi descascando até exibir sem pudores uma megalomania doente, com um complexo de César que o faz trair quem seja preciso. Fascinado por uma militante (Glauce Rocha), acaba sendo atraído para uma voz menos arrogante, porém ainda mais hipócrita: Vieira (incrível José Lewgoy), um reformador populista que beija os pés do clero e promete representar a verdadeira voz do povo no poder. Um povo miserável, analfabeto e que não pensa duas vezes antes de aplaudir o agressor com as mesmas mãos que ainda recuperam-se das feridas do recente açoite sofrido. Paulo logo percebe que Diaz e Vieira estão interessados apenas no poder, nos privilégios.

a face in the crowd 2 - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

9 – Um Rosto na Multidão (A Face in the Crowd – 1957)

A história gira em torno de um andarilho chamado Larry “Lonesome” Rhodes (Andy Griffith), que é descoberto em uma cadeia no nordeste do Arkansas por Marcia (Patricia Neal), uma produtora de um programa de rádio, e seu assistente (Walter Matthau). Ele se transforma numa estrela do rádio e da TV, da noite para o dia. Mas, à medida que a sua fama aumenta, o sucesso lhe dá mais poder.

Foi uma genial decisão do diretor Elia Kazan a escalação do comediante Andy Griffith para um papel dramático que o fazia sair de sua zona de conforto, como o popular apresentador de televisão que é convidado a utilizar sua fama como elemento facilitador na carreira política de um congressista insosso. O filme é ousado por ser um dos primeiros a abordar um tema extremamente atual: a influência manipuladora da televisão na política. Como o personagem de Matthau chega a afirmar brilhantemente: “Você precisa ser um santo para se negar a utilizar o poder que aquela caixinha te oferece”. O apresentador simplório passa a se ver como um deus da comunicação, o braço direito do presidente americano.

vlcsnap 2013 11 25 17h30m21s92 - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

8 – JFK – A Pergunta Que Não Quer Calar (JFK – 1991)

Oliver Stone não só reconstitui o assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy, mas defende a tese polêmica de que o crime fora uma conspiração envolvendo revolucionários cubanos, a CIA e a própria cúpula do governo americano.

Nessa longa dramatização de várias teorias conspiratórias sobre o assassinato de Kennedy, a coragem de Oliver Stone se faz presente ao defender uma opinião controversa, com total senso de ritmo narrativo. O grande mérito é que o roteiro coloca o espectador imerso na investigação do corajoso protagonista, vivido por Kevin Costner, instigando questões pertinentes, fazendo-nos acreditar na legitimidade de sua batalha. Poderia Lee Harvey Oswald ter disparado três tiros em seis segundos? Por que tantas pessoas ligadas ao assassinato depois apareceram mortos em circunstâncias peculiares? A riqueza de informações é valorizada em revisões, fator que nesse caso melhora a experiência. Impossível esquecer o impacto da cena do encontro com o misterioso militar vivido por Donald Sutherland, em seu espetacular monólogo, que evidencia feridas abertas ainda hoje na política americana.

wag the dog - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

7 – Mera Coincidência (Wag the Dog – 1997)

Menos de duas semanas para a eleição e o presidente dos Estados Unidos candidato a um segundo mandato envolve-se em um escândalo que pode acabar com sua carreira política. Antes que o pior possa acontecer, entra em cena Conrad (Robert de Niro), um homem com a habilidade de manipular a imprensa e, principalmente, a opinião pública. Com a ajuda de Stanley (Dustin Hoffman), um famoso produtor de Hollywood, ele cria a perfeita distração: uma guerra de mentira.

É incrível como esse excelente filme é pouco lembrado hoje em dia. Como não se lembrar da guerra dos Estados Unidos contra as armas de destruição em massa que nunca foram encontradas? Nada melhor do que inventar um motivo mirabolante para desviar os olhos da população, como faz o produtor vivido por Dustin Hoffman, para salvar a pele do presidente que está metido em um escândalo sexual, mas precisa ser reeleito. Eles inventam uma guerra, forjando o herói que poderá salvar a nação de qualquer perigo. O espirituoso título nacional nasceu como resposta ao caso de Bill Clinton com sua secretária, ocorrido pouco tempo antes do lançamento do filme. Na vida real, Clinton oportunamente aproveitou para se empenhar em campanhas de bombardeio no Iraque e no Sudão, enquanto caíam por terra todos os esforços de seus assessores em promover sua imagem como um respeitável homem de família. A crítica mais contundente do filme é que vivemos uma realidade onde as guerras são criadas e manipuladas por homens da mídia, que organizam até seus “heróis” e “vilões”, com direito a temas musicais e pomposas adaptações cinematográficas, negociadas antes mesmo do som das bombas ter se dissipado. E essa realidade é extremamente perigosa, pois com o avanço da tecnologia, a câmera mente com maior facilidade. E quando o povo é estimulado a não questionar…

mr smith goes to washington scene - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

6 – A Mulher Faz o Homem (Mr. Smith Goes to Washington – 1939)

Inocente homem do interior (James Stewart) é convidado a se tornar senador dos Estados Unidos e aos poucos se descobre em um mar de lama que ameaça tudo o que ele acreditava em relação à bondade e ao caráter dos comandantes de seu país.

A mão de Frank Capra pode pesar no piegas em certos momentos, mas poucos filmes souberam retratar tão bem o esforço de um elemento individual íntegro em um covil de serpentes, arriscando-se a perder até sua sanidade, mas não admitindo que seus valores tombem ou sequer se curvem perante o que considera errado. O roteiro nos apresenta um símbolo das reais qualidades que deveriam ser comuns aos homens que ingressam na política, mas deixando clara a razão que impede que essas qualidades sejam valorizadas: o ser humano é ambicioso. Apenas as crianças, seres ainda não tocados pelo instinto predatório dos adultos, conseguem enxergar os méritos na aparente causa perdida do protagonista. James Stewart me fez acreditar em Jefferson Smith. No famoso e emocionante discurso final do personagem no julgamento, exaurido física e mentalmente após horas falando ininterruptamente, apenas seu caráter o mantinha de pé. Nunca me esqueço da breve tomada que mostra o tímido sorriso de encorajamento do juiz, mesmo sabendo das poucas chances do rapaz. O juiz sabe que todos deveriam ter aquela coragem, mas muito mais que isso, ele enxerga naquele alquebrado homem o motivo principal que o fez adentrar outrora em sua profissão.

network1a1 - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

5 – Rede de Intrigas (Network – 1976)

Quando o veterano jornalista Howard Beale (Peter Finch) é demitido, ele sofre um violento colapso nervoso diante das câmeras. Mas, depois que os seus enfraquecidos números de audiência sobem por causa das suas críticas ferozes, ele é readmitido e reinventado como o “profeta louco das ondas da TV”. Evidentemente, quando o tal “profeta” perde a
capacidade de seduzir o público, alguma providência tem que ser tomada contra
ele. De preferência, diante das câmeras e com uma plateia dentro do estúdio.

O filme de Sidney Lumet mostra os reais interesses que existem por trás de qualquer programação televisiva, com uma visão assustadoramente atual e pungente sobre os limites (ou falta de) do bom senso e da ética. Os diálogos escritos genialmente por Paddy Chayefsky são verdadeiras catarses, estimulando aplausos até mesmo naqueles que assistem ao filme hoje no conforto de seus sofás. O que era considerado uma fábula que instigava a vigilância, pode ser percebido como a realidade de hoje, com o sensacionalismo
dominando as estações de televisão, dos programas de auditório ao jornalismo. Fica
claro que ninguém se importa mais com valores, quando chegamos ao ponto de uma
criança pode ligar a televisão de manhã e ver um absurdo teste de fidelidade. Não importa mais o nível da baixaria, contanto que represente melhores índices de audiência. O entretenimento é apenas uma desculpa para vender produtos nos intervalos comerciais. A caixa, como o personagem de Peter Finch chamava, apenas ficou maior e mais fina, mas o que ela representa continua sendo, em grande parte, o lado desprezível do ser humano.

manchuriancandidate 41 - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

4 – Sob o Domínio do Mal (The Manchurian Candidate – 1962)

Pergunte ao Major Bennett Marco (Frank Sinatra) e ele dirá que o Sargento Raymond Shaw (Laurence Harvey) é um herói digno de Medalha de Honra. Mas, apesar do que diz, Marco desconfia do contrário. Um pesadelo estranho e recorrente lhe dá a desconfortável sensação de que Shaw é alguém muito menos heroico e muito mais traiçoeiro. Seria mesmo Shaw um traidor? Conseguiria Marco convencer o Exército de suas suspeitas? E onde se encaixa nisso tudo a influente e rigorosa mãe de Shaw (Angela Lansbury)? São muitas as perguntas. E o tempo muito curto e precioso.

Dirigido por John Frankenheimer, Frank Sinatra vive um herói militar que retorna para casa após a guerra, somente para perceber que foi usado em uma trama de espionagem, onde por meio de hipnose foi levado a assassinar até mesmo membros de seu próprio pelotão. Poucos filmes abordam a paranoia de forma tão eficiente, pois ao invés de focar-se nos extremismos políticos, mostra que o indivíduo comum é o que está mais suscetível à manipulação. Um thriller político que continua tão eficiente quanto em sua estreia, misturando influências do Noir, uma belíssima fotografia de Lionel Lindon, com um texto
que critica duramente a utilização da televisão como ferramenta política. A sua abordagem foi profética no caso do assassinato de Kennedy, fator que envolve o projeto numa aura sombria e o torna ainda mais contundente.

WszyscyLudziePrezydenta 1 - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

3 – Todos os Homens do Presidente (All The President’s Men – 1976)

Em uma noite comum, no Edifício Watergate, luzes revelam quatro criminosos pegos no ato. Por causa dos acontecimentos daquela noite, naquele prédio, um presidente dos Estados Unidos acabou sendo levado para fora da Casa Branca. Dois repórteres de Washington, Bob Woodward (Robert Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman) agarraram a história e mantiveram-se agarrados a ela, desafiando dúvidas e negações.

O diretor Alan J. Pakula mostra a extrema dedicação de dois jornalistas contra os vários tentáculos do corrupto sistema político. Na essência da trama está a razão do temor dos políticos por uma imprensa livre. De certa forma, uma obra que complementa “Rede de Intrigas”, mostrando o lado benéfico da mídia. O roteiro nos coloca praticamente sentados na mesa com os protagonistas, por vezes em detrimento de uma fluência narrativa,
possibilitando que vivenciemos com exatidão de detalhes uma investigação jornalística. Uma abordagem que dificilmente seria escolhida nos dias de hoje, já que o público anseia cada vez mais pelo entretenimento imediatista. O símbolo de um jornalismo que dificilmente seria possível nos dias de hoje, em que a política do “em cima do muro”, muito mais lucrativa, parece ter contaminado todas as vertentes da comunicação.

z21 - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

2 – Z (1969)

Em 1965, Lambrakis, um professor de medicina, é assassinado quando saía de uma manifestação de paz em praça pública, a investigação sobre sua morte acabou por revelar uma rede de escândalos, corrupção e ilegalidades na polícia e no governo na qual o líder do partido de oposição se tornou Premier. Porém, em 1967, um golpe militar derrubou o governo legal. O filme revive o assassinato e a investigação numa tentativa de demonstrar como o mecanismo da corrupção fascista pode se esconder atrás da máscara da lei e da
ordem.

Obra-prima de Costa-Gavras, inspirada no romance homônimo do escritor grego Vassilis Vassilikos e no regime militar ocorrido na Grécia nos anos sessenta. A trama narra um crime político, um assassinato, de um popular deputado de esquerda durante uma manifestação e sua investigação por parte de um juiz, enquanto as forças armadas fazem de tudo para encobrir o fato e os verdadeiros culpados. E a população, cansada de ser controlada por incompetentes, parte para o revide. Obviamente, o filme sofreu enorme censura no seu lançamento em nossa “justa” nação, num notório caso, dentre vários, de carapuça bem servida. Vale salientar a excelente fotografia do francês Raoul Coutard, de
“Acossado” e vários outros projetos de Godard.

business leaders on the silver screen - Os 20 melhores filmes sobre o mundo pantanoso da política

1 – O Candidato (The Candidate – 1972)

Bill McKay (Robert Redford), o candidato do Partido Democrata ao Senado dos Estados Unidos, um homem de integridade e ideais, não se deixará manipular pela máquina política americana. O filme é uma incisiva visão de como publicitários, assessores de imprensa e empresários de comunicação se unem durante uma campanha eleitoral.

Este filme de Michael Ritchie é uma aula sobre como funciona este grande teatro que é a política, um verniz frágil de boas intenções para o coletivo, mas que esconde apenas um intenso interesse no poder individual. O roteiro entrega os vários elementos dessa engrenagem podre, como a importância de firmar a imagem do candidato como um homem de família, com uma bela esposa (de fachada ou não), um corte de cabelo comportado, ainda que genuinamente ele não saiba qual a sua função no esquema. O filme mostra também a nada ética ajuda de empresários da comunicação, que acabam favorecendo descaradamente aquele político que irá devolver o favor quando eleito. A estratégia espúria, que vai da forma como o candidato deve se posicionar frente à câmera e a sua maneira de olhar para a lente, passando pelas abordagens com populares nas ruas, até o tipo de assunto que deve ser evitado em um debate. O protagonista, vivido por
Robert Redford, foi inserido em um sistema que pouco conhece, como um peão na
mão de publicitários. A sua reação ao final, inseguro como criança quando descobre que venceu a eleição, resume perfeitamente a coragem dessa obra: “E agora, o que faremos?”. Não é coincidência que esse ótimo filme nunca seja exibido na televisão.

RECOMENDAMOS


Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here