TOP – Filmes Sobre Política (Parte 3 de 3)

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    20 – 11

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/04/top-filmes-sobre-politica-parte-1-de-3.html

    10 – 6

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/05/top-filmes-sobre-politica-parte-2-de-3.html

    5 – Rede de Intrigas (Network – 1976)

    Quando o veterano jornalista Howard Beale (Peter Finch) é
    demitido, ele sofre um violento colapso nervoso diante das câmeras. Mas, depois
    que os seus enfraquecidos números de audiência sobem por causa das suas
    críticas ferozes, ele é readmitido e reinventado como o “profeta louco das
    ondas da TV”. Evidentemente, quando o tal “profeta” perde a
    capacidade de seduzir o público, alguma providência tem que ser tomada contra
    ele. De preferência, diante das câmeras e com uma plateia dentro do estúdio.

    O filme de Sidney Lumet mostra os reais interesses que
    existem por trás de qualquer programação televisiva, com uma visão
    assustadoramente atual e pungente sobre os limites (ou falta de) do bom senso e
    da ética. Os diálogos escritos genialmente por Paddy Chayefsky são verdadeiras
    catarses, estimulando aplausos até mesmo naqueles que assistem ao filme hoje no
    conforto de seus sofás. O que era considerado uma fábula que instigava a
    vigilância, pode ser percebido como a realidade de hoje, com o sensacionalismo
    dominando as estações de televisão, dos programas de auditório ao jornalismo. Fica
    claro que ninguém se importa mais com valores, quando chegamos ao ponto de uma
    criança pode ligar a televisão de manhã e assistir um absurdo teste de
    fidelidade. Não importa mais o nível da baixaria, contanto que represente
    melhores índices de audiência. O entretenimento é apenas uma desculpa para
    vender produtos nos intervalos comerciais. A caixa, como o personagem de Peter
    Finch chamava, apenas ficou maior e mais fina, mas o que ela representa
    continua sendo, em grande parte, o lado desprezível do ser humano.

    manchuriancandidate 41 - TOP - Filmes Sobre Política (Parte 3 de 3)

    4 – Sob o Domínio do Mal (The Manchurian Candidate – 1962)

    Pergunte ao Major Bennett Marco (Frank Sinatra) e ele dirá
    que o Sargento Raymond Shaw (Laurence Harvey) é um herói digno de Medalha de
    Honra. Mas, apesar do que diz, Marco desconfia do contrário. Um pesadelo
    estranho e recorrente lhe dá a desconfortável sensação de que Shaw é alguém
    muito menos heróico e muito mais traiçoeiro. Seria mesmo Shaw um traidor?
    Conseguiria Marco convencer o Exército de suas suspeitas? E onde se encaixa
    nisso tudo a influente e rigorosa mãe de Shaw (Angela Lansbury)? São muitas as
    perguntas. E o tempo muito curto e precioso.

    Dirigido por John Frankenheimer, Frank Sinatra vive um herói
    militar que retorna para casa após a guerra, somente para perceber que foi
    usado em uma trama de espionagem, onde por meio de hipnose foi levado a assassinar
    até mesmo membros de seu próprio pelotão. Poucos filmes abordam a paranoia de
    forma tão eficiente, pois ao invés de focar-se nos extremismos políticos,
    mostra que o indivíduo comum é o que está mais suscetível à manipulação. Um
    thriller político que continua tão eficiente quanto em sua estreia, misturando
    influências do Noir, uma belíssima fotografia de Lionel Lindon, com um texto
    que critica duramente a utilização da televisão como ferramenta política. Sua
    abordagem foi profética no caso do assassinato de Kennedy, fator que envolve o
    projeto numa aura sombria e o torna ainda mais contundente.

    WszyscyLudziePrezydenta 1 - TOP - Filmes Sobre Política (Parte 3 de 3)

    3 – Todos os Homens do Presidente (All The President’s Men –
    1976)

    Em uma noite comum, no Edifício Watergate, luzes revelam
    quatro criminosos pegos no ato. Por causa dos acontecimentos daquela noite,
    naquele prédio, um presidente dos Estados Unidos acabou sendo levado para fora
    da Casa Branca. Dois repórteres de Washington, Bob Woodward (Robert Redford) e
    Carl Bernstein (Dustin Hoffman) agarraram a história e mantiveram-se agarrados
    a ela, desafiando dúvidas e negações.

    O diretor Alan J. Pakula mostra a extrema dedicação de dois
    jornalistas contra os vários tentáculos do corrupto sistema político. Na
    essência da trama está a razão do temor dos políticos por uma imprensa livre.
    De certa forma, uma obra que complementa “Rede de Intrigas”, mostrando o lado
    benéfico da mídia. O roteiro nos coloca praticamente sentados na mesa com os
    protagonistas, por vezes em detrimento de uma fluência narrativa,
    possibilitando que vivenciemos com exatidão de detalhes uma investigação
    jornalística. Uma abordagem que dificilmente seria escolhida nos dias de hoje,
    já que o público anseia cada vez mais pelo entretenimento imediatista. O
    símbolo de um jornalismo que dificilmente seria possível nos dias de hoje, onde
    a política do “em cima do muro”, muito mais lucrativa, parece ter contaminado
    todas as vertentes da comunicação.

    z21 - TOP - Filmes Sobre Política (Parte 3 de 3)

    2 – Z (1969)

    Em 1965, Lambrakis, um professor de medicina, é assassinado
    quando saía de uma manifestação de paz em praça pública, a investigação sobre
    sua morte acabou por revelar uma rede de escândalos, corrupção e ilegalidades
    na polícia e no governo na qual o líder do partido de oposição se tornou
    Premier. Porém, em 1967, um golpe militar derrubou o governo legal. O filme
    revive o assassinato e a investigação numa tentativa de demonstrar como o
    mecanismo da corrupção fascista pode se esconder atrás da máscara da lei e da
    ordem.

    Obra-prima de Costa-Gavras, inspirada no romance homônimo do
    escritor grego Vassilis Vassilikos e no regime militar ocorrido na Grécia nos
    anos sessenta. A trama narra um crime político, um assassinato, de um popular
    deputado de esquerda durante uma manifestação e sua investigação por parte de
    um juiz, enquanto as forças armadas fazem de tudo para encobrir o fato e os
    verdadeiros culpados. E a população, cansada de ser controlada por incompetentes,
    parte para o revide. Obviamente, o filme sofreu enorme censura no seu
    lançamento em nossa “justa” nação, num notório caso, dentre vários, de carapuça
    bem servida. Vale salientar a excelente fotografia do francês Raoul Coutard, de
    “Acossado” e vários outros projetos de Godard.

    business leaders on the silver screen - TOP - Filmes Sobre Política (Parte 3 de 3)

    1 – O Candidato (The Candidate – 1972)

    Bill McKay (Robert Redford), o candidato do Partido
    Democrata ao Senado dos Estados Unidos, um homem de integridade e ideais, não
    se deixará manipular pela máquina política americana. O filme é uma incisiva
    visão de como publicitários, assessores de imprensa e empresários de
    comunicação se unem durante uma campanha eleitoral.

    Esse filme de Michael Ritchie é uma aula sobre como funciona
    esse grande teatro que é a política, um verniz frágil de boas intenções para o
    coletivo, mas que esconde apenas um intenso interesse no poder individual. O
    roteiro entrega os vários elementos dessa engrenagem podre, como a importância
    de firmar a imagem do candidato como um homem de família, com uma bela esposa
    (de fachada ou não), um corte de cabelo comportado, ainda que genuinamente ele
    não saiba qual a sua função no esquema. O filme mostra também a nada ética
    ajuda de empresários da comunicação, que acabam favorecendo descaradamente aquele
    político que irá devolver o favor quando eleito. A estratégia espúria, que vai
    da forma como o candidato deve se posicionar frente à câmera e a sua maneira de
    olhar para a lente, passando pelas abordagens com populares nas ruas, até o
    tipo de assunto que deve ser evitado em um debate. O protagonista, vivido por
    Robert Redford, foi inserido em um sistema que pouco conhece, como um peão na
    mão de publicitários. A sua reação ao final, inseguro como criança quando
    descobre que venceu a eleição, resume perfeitamente a coragem dessa obra: “E
    agora, o que faremos?”. Não é coincidência que esse ótimo filme nunca seja
    exibido na televisão.

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    Octavio Caruso
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