Guilty Pleasures – “Aliança Mortal” (1991)

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    Link para os textos do especial:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/p/guilty-pleasures.html

    Aliança Mortal (Wedlock – 1991)

    Frank Warren (Rutger Hauer) foi preso em uma penitenciária
    de segurança máxima por roubar milhões em diamantes, os quais não foram
    recuperados. Na prisão, cada prisioneiro tem um parceiro desconhecido. E quando
    eles se separam por mais de cem jardas, um colar explosivo é acionado, matando
    os dois parceiros.

    Meu primeiro contato com esse péssimo filme foi, ainda
    criança, através de um VHS da coleção “Videoteca” do jornal carioca “O Dia”.
    Salvo raras exceções, os títulos eram medianos, produções menores, mas, para um
    cinéfilo iniciante e ferrado que desejava ter uma videolocadora em casa, essas
    fitas ajudavam bastante, especialmente pelo valor irrisório que custavam. Revendo
    hoje, após mais de quinze anos, não consigo sequer acreditar que um dia considerei
    agradável essa bomba. O que me cativou na época foi o conceito por trás do
    colar explosivo. E, a bem da verdade, é injusto afirmar que essa ideia não
    funciona na trama, ela é a única coisa que funciona bem. O problema foi que os
    produtores se esqueceram de pensar num roteiro que desse suporte a esse
    conceito.

    Os personagens, um detalhe que não me incomodava quando
    criança, sem exceção, são totalmente tolos. O letreiro inicial já me irrita: “Em
    algum lugar do futuro”. A preguiça já fica clara, o roteirista nem se preocupou
    em estabelecer um ambiente, não importa se a trama se passa daqui a vinte minutos,
    ou vinte anos, pra facilitar, coloca lá: “futuro”. Nos minutos seguintes, somos
    apresentados ao trio mais estúpido de ladrões de diamantes. Eles escutam soar o
    alarme, mas, mantendo a tranquilidade, continuam o que estão fazendo,
    encontrando tempo até para afagos românticos, com o protagonista colocando sorridentemente
    um anel no dedo da noiva japonesa. A polícia americana do futuro deve ser como
    a nossa do presente, já que demoram tempo suficiente para que o trio coloque o
    papo em dia. Eles se disfarçam de policiais, o que ocasiona outro momento
    bizarro: a policial real, no meio de uma perseguição desesperada, percebe um
    colar de diamantes no pescoço da japonesa, iniciando então uma conversa serena
    sobre como a corporação não permite que os policiais utilizem adereços como
    aquele. Era, obviamente, uma forma de distrair a mulher, porém, a forma esquisita
    como a cena é conduzida se assemelha a uma paródia dos irmãos Zucker.

    E, como a cereja desse bolo estragado, a japonesa espera o
    reencontro com o personagem vivido por Hauer, para revelar que está mancomunada
    com o colega dele. Não teria sido mais fácil os dois terem dado um tiro nele
    logo após o assalto? E ele questiona, com a inteligência emocional de um menino
    de sete anos, enquanto vê sua amada agarrada no pescoço de James Remar: “Ele
    está te mandando dizer isso, né?”. É hilária a ingenuidade do bandido. E a cena
    termina com ela desferindo vários tiros nele, ao som das gargalhadas malignas
    caricaturais do traidor. Bom, caso isso não fosse suficiente, mesmo com vários
    tiros, inclusive, no coração, o personagem impressionantemente aparece vivo na
    cena seguinte, vendendo saúde, com um sorriso no rosto, já no camburão que está
    levando ele pra penitenciária. Sortudo que só ele, descobre que, num veículo
    lotado de marginais feios, sua companhia no banco é a bela Mimi Rogers.

    Outro show de sutileza no roteiro, que tenta mastigar tudo para
    o público: um dos bandidos na penitenciária, uma ponta inglória de Danny Trejo,
    afirma com ar de durão: “Sem guarda, sem muro, sem proteção, não sei como
    ninguém foge daqui”. Logo depois, aparece a longa explicação, dada por uma
    espécie de Ciro Bottini dos artefatos de segurança carcerária. É empolgante a
    animação do homem ao enaltecer as qualidades daquela geringonça, o tal colar
    explosivo. Pra finalizar, outro momento que insulta a inteligência do
    espectador: Hauer está batendo um papo amistoso com o dono da penitenciária,
    até que percebe uma maneira fácil de matar o homem, que estava mais interessado
    em regar suas plantas. Ele pega uma tesoura e aponta o instrumento cortante
    para o pescoço do cara, porém, perde subitamente sua motivação, entregando a
    arma gentilmente, quando o homem o lembra de que, por dentro, ele não é um
    assassino. É basicamente uma reencenação do desfecho de “Super Xuxa contra o
    Baixo Astral”. E como o cara agradece a consideração? Ele reitera que poderia
    fazer o bandido desastrado passar por doze longos anos de dor e humilhação. E
    tudo isso que abordei ocorre apenas nos primeiros vinte minutos de filme.

    O motivo de esse projeto estar inserido nesse especial? É
    que, por estranhas razões inexplicáveis, eu ainda me divirto bastante assistindo.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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