“Scanners – Sua Mente Pode Destruir”, de David Cronenberg

    0

    Scanners – Sua Mente Pode Destruir (Scanners – 1981)

    Reunidos numa organização clandestina, os scanners preparam
    a derrubada do governo estadunidense e, a partir daí, a dominação mundial. O
    governo, para combatê-los, começa a contratar os seus próprios scanners.

    O meu primeiro contato com o trabalho de David Cronenberg
    foi com a exibição de “A Mosca”, na “Tela Quente” global, no início de 1990. Eu
    tinha seis anos, então você pode imaginar o impacto daquelas imagens. Ao lado
    de “O Exorcista”, também conhecido através de uma madrugada maldita na
    televisão, burlando a proibição de meus pais, foi o responsável por minha
    paixão na infância pelo cinema de terror. “Scanners” representa pra mim o
    período inicial do VHS, as fitas que meu pai trazia da locadora no final de
    semana. Anos depois, por volta de 1996, conheci a abominável sequência: “Scanners
    2 – A Força do Poder”, no inesquecível “Cine Trash”, que era apresentado pelo
    José Mojica Marins nas tardes da TV Bandeirantes. Ao rever o original pra esse
    texto, na excelente edição lançada pela distribuidora Versátil, senti uma
    nostalgia profunda.

    Não me recordava muito da trama, apenas do combate final e
    da celebrada cena da cabeça explodindo no primeiro ato. E, apesar do
    protagonista, vivido por Stephen Lack, ser um ator bastante limitado e com
    pouco carisma, o roteiro é muito mais interessante do que aparenta ser na
    superfície, exatamente como a trilha sonora de Howard Shore, que realça o
    elemento destrutivo da habilidade especial dos scanners, uma maldição biológica.
    Essa visão depressiva contrasta, por exemplo, com a utilização da telecinese em
    “Carrie”, de Brian De Palma, lançado poucos anos antes. Na obra de Cronenberg,
    não há sequer um momento em que os personagens usufruam desse poder como crianças
    com um brinquedo novo. Não há êxtase, não há deslumbramento, até a vitória
    final é apresentada com amargor, algo importante sempre se perde no processo. Essa
    percepção madura, a vitimização dos personagens, insere o filme na lista dos bons
    sci-fi de sua década, superior a vários outros projetos tematicamente
    similares.

    * O filme foi lançado em DVD pela distribuidora Versátil, na
    caixa “Clássicos Sci-Fi – Vol. 2”, que inclui também, além de extras, os
    filmes: “O Homem dos Olhos de Raio-X”, “O Monstro do Ártico”, “Matadouro 5”, “No
    Mundo de 2020” e “Robinson Crusoé em Marte”.

    RECOMENDAMOS


    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Please enter your comment!
    Please enter your name here