O húngaro “Lua de Júpiter” é um filme religioso B elegante

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Lua de Júpiter (Jupiter holdja – 2017)

Parábola de realismo fantástico auxiliada por um design de som que mantém o constante senso de desconforto, mas prejudicada pelo excesso de admiração do diretor pela simples ideia proposta, caso clássico em que menos seria mais.

Até mesmo o recurso de movimentação da câmera nos momentos de levitação, esteticamente deslumbrante a princípio, acaba se tornando irritante exibicionismo. A repetição de pontos já estabelecidos durante o segundo ato dificulta a compreensão do público, esvaziando progressivamente o potencial crítico ao abordar a crise de refugiados na Europa, envolta em discutível moralidade cristã que conduz à momentos de riso involuntário. A jornada do médico vivido por Merab Ninidze, do aproveitador ganancioso ateu debochado ao carola extasiado que diz coisas como: “Você está aqui para nos avisar que esquecemos de olhar para o alto”, especialmente em 2018, não cabe fora daqueles projetos B especificamente direcionados aos fiéis religiosos menos criteriosos.

O ódio causou a morte do jovem sírio Aryan (Zsombor Jéger), baleado ao tentar chegar na Hungria. Ele então percebe que ganhou o poder de levitar, ressuscitando como uma espécie de anjo milagreiro. Nas mãos de Buñuel ou Wenders, o material raso poderia se tornar uma experiência sensorial inesquecível, mas nas mãos do húngaro Kornél Mundruczó vale apenas por acertar na metáfora que aponta o óbvio, que a demonização dos refugiados, marca da era Trump, serve apenas aos cretinos.

Cotação: STAR 25 zpsd96272f8 - O húngaro "Lua de Júpiter" é um filme religioso B elegante

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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