7 filmes calientes para quem vive o amor plenamente

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Não basta ser apimentado, o filme precisa ser instigante intelectualmente. Selecionei sete títulos perfeitos para quem vive o amor plenamente. Boa sessão!

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Emanuelle 2 (Emmanuelle: L’antivierge – 1975)

O filme dirigido por Francis Giacobetti é espetacular naquilo que se propõe a ser, com a protagonista agora totalmente liberada para experimentar ao máximo, confiante e mais sedutora que nunca! A linda trilha sonora do sempre competente Francis Lai eleva o nível, culminando com uma canção defendida pela própria atriz: “L’amour d’aimer”. A criativa utilização das cores (figurino e cenário), vermelho simbolizando a paixão, e azul dominando as sequências imaginárias no roteiro, são detalhes que sequer seriam cogitados em produções similares. A classe com que a câmera registra as cenas românticas, a composição inteligente do quadro, reforçando a beleza na coreografia dos corpos. O suspense bem trabalhado no desenvolvimento da relação que se forma entre o casal e a lolita pura vivida por Catherine Rivet, espécie de versão embrionária da própria Emmanuelle, intensificado a cada troca de olhares, a cada gesto de carinho suave, até que explode na catarse que finaliza a obra, conduzindo ao poético momento em que Kristel quebra a quarta parede, como que convidando o público a tomar parte em sua celebração da vida.

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Carol (2015)

O foco da adaptação no relacionamento das duas mulheres, aliado à elegância com que a direção de Todd Haynes aborda cada sequência, além de ser o grande mérito do filme, possibilita a expansão de um elemento importante, um terceiro protagonista, a linda trilha sonora composta por Carter Burwell. Coerente àquela realidade vivida pelas personagens, duas indesejáveis estatísticas remando contra a corrente, impossibilitadas de se expressarem romanticamente em público, até mesmo por não compreenderem plenamente seus próprios sentimentos, a música é criada então como uma tentativa minimalista de codificar os olhares, o tremor da ansiedade inexplicável, o arrepio ao toque da pele, o caminho proibido que as duas, quase que instintivamente, decidem trilhar. Nos momentos tristes, a música não se perde em sentimentais odes à dor, como é usual no cinema, mas, sim, na perturbadora solidão causada pelo ato. O tédio faz parte da rotina de Thérese, vendedora em uma loja de departamentos, acostumada a ser incentivada pela gerência a se adequar a um padrão, simbolizado na cena em que ela lê o manual de condutas da empresa. A delicadeza na interação com aquela enigmática mulher que a aborda numa manhã, o gradual desejo cuidadosamente trabalhado nas primeiras conversas, a preocupação da jovem com a latente agressividade do marido de Carol, todas as etapas nessa relação conduzem naturalmente ao amor, porém, até mesmo nestas cenas, a câmera se mantém por mais tempo nos olhares, no toque dos lábios, afinal, a coreografia dos corpos importa menos que a alegria do contato finalmente satisfeito.

 

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E Sua Mãe Também (Y Tu Mamá También – 2001)

Tenoch (Diego Luna) e Julio (Gael Garcia Bernal) são dois adolescentes de 17 anos que são controlados pelos seus hormônios e desejam se tornar adultos rapidamente. Em uma tarde festiva eles encontram Luisa (Maribel Verdú), uma garota espanhola 11 anos mais velha que eles e que é casada com o primo de Tenoch. Eles a convidam para uma viagem à praia de Boca del Cielo, convite este inicialmente recusado e posteriormente aceito, após Luisa receber uma desagradável notícia. Porém, tanto Julio quanto Tenoch não conhecem o caminho até a praia e nem mesmo se ela realmente existe, fazendo com que os três se aventurem em uma viagem em que inocência, passionalidade e amizade irão colidir. Um dos melhores filmes do diretor Alfonso Cuarón.

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Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d’Adèle – 2013)

Diferente de Emma, que é uma artista independente que se nutre da liberdade para a realização de seu trabalho, Adèle é uma simples menina tímida e reprimida por uma sociedade machista, com objetivos de vida inofensivos e que não necessitam do elemento da ousadia. O atrito destes dois polos tão díspares resulta em uma fascinante explosão de cumplicidade, com corpos que se exploram vorazmente, analisada pela câmera voyeur com interesse antropológico. E o relacionamento transcorre de maneira realística, sem se esquivar dos problemas que ocorrem em qualquer relação de intimidade, evitando um erro cometido em vários projetos de temática similar, onde promovem a celebração do amor homossexual como algo melhor (uma vertente do que Spike Lee faz com relação aos negros, por exemplo, lutando pela exaltação da diferença ao invés da homogeneização). Inserindo na discussão o conceito existencialista de Jean-Paul Sartre, o objetivo principal desta excelente obra fica claro: apontar a hipocrisia que leva o público a se chocar com as cenas de amor, enquanto se mostram indiferentes à brutal estupidez da homofobia.

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Deite Comigo (Lie With Me – 2005)

(O filme contém cenas explícitas) Leila (Lauren Lee Smith) é uma jovem que se relaciona com os homens através de encontros casuais e sempre de forma breve. Uma noite, em uma festa lotada, ela encontra-se com David (Eric Balfour). Mais tarde Leila e um homem se encontram romanticamente atrás da casa, com David e sua namorada observando sua performance de longe. David também se encontra com a namorada, sendo que seu olhar e o de Leila se cruzam enquanto ambos estão amando outra pessoa. Pouco depois David e Leila começam a namorar e, em seu relacionamento, eles começam a ter necessidades e desejos que vão além do lado físico.

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A Professora de Piano (La Pianiste – 2001)

Erika Kohut (Isabelle Huppert) trabalha como professora de piano no Conservatório de Viena. Ela não bebe nem fuma, vivendo na casa de sua mãe (Annie Girardot) aos 40 anos. Quando não está dando aulas Erika costuma frequentar peep-shows, em busca de excitação. Logo ela inicia um relacionamento com Walter Klemmer (Benoît Magimel), um de seus alunos, com quem realiza vários jogos perversos. Um dos melhores filmes do diretor Michael Haneke.

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Último Tango em Paris (Last Tango in Paris – 1972)

Brando e Maria representam o outro extremo de um relacionamento, aquele no qual ambos procuram formas de se completarem. As tão faladas cenas fortes, em especial a que se utiliza da manteiga, existem por um motivo. A intenção não é somente chocar o público, mas sim encaminhá-lo para uma catarse emocional que acontece próximo do desfecho. Nesta relação não existe amor. Brando insiste em não revelar seus nomes um ao outro, nem mesmo suas histórias de vida. O encontro passional entre eles é um ritual de purificação espiritual, em que caminham a passos rápidos em direção ao inferno, para só então vislumbrarem um tipo de céu. Isto fica claro no terceiro ato, quando sua relação intensifica e ambos flertam com radicalismos. Paul busca encontrar naquela desconhecida a negação de qualquer sentimento, qualquer noção de moralidade, expondo a falsa pudicícia da jovem. Bertolucci utiliza os encontros do casal no velho apartamento vazio como uma analogia ao processo de desmistificação do amor. Trazendo-o para seus elementos mais primários e bestiais, desvincula-o de todos os tabus referentes à idolatria, orgulho e religiosidade. Um filme denso e imperfeito como a vida.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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