Críticas

Dica do DTC – “Onde Está o Meu Amor?”, de Ernst Lubitsch

No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.

***

Onde Está o Meu Amor? (Wo ist mein Schatz? – 1916)

Um marido (Ernst Lubitsch) sofre com a convivência de sua sogra (Lanchen Voss) chata que mora com ele e a esposa (Louise Schenrich). Após chegar tarde e bêbado de um jogo de xadrez, ele é escorraçado de casa pela sogra. Para recuperar seu espaço, ele decide se disfarçar de criado e consegue um emprego disfarçado dentro de seu próprio lar.

Eu costumo escutar com frequência papos indicando vídeos de podcasts, gente tonta conversando com gente mais tonta ainda, sobre assuntos tontos, fico com a impressão de que o brasileiro só consome este tipo de material. Deus me livre e guarde! A internet é o futuro que a criança que fui outrora sonhava, um universo de possibilidades, eu jamais me perdoaria se desperdiçasse tempo precioso desta experiência tão breve que é a vida com bobagens vazias.

Na noite de ontem, garimpando no YouTube, encontrei esta pérola que foi recentemente encontrada, após décadas considerada perdida, o registro mais antigo do trabalho do saudoso mestre Ernst Lubitsch, em sua fase inicial menos celebrada. Ele é lembrado pelos cinéfilos apaixonados por sua verve cômica sofisticada (o clássico “Toque Lubitsch”, admirado por grandes cineastas, como Billy Wilder), mas o alemão também se aventurou, e com muita competência (como roteirista, diretor e ator), no período do cinema mudo.

Eu aproveito para recomendar outros títulos desta fase, que você também encontra com facilidade na internet: “Schuhpalast Pinkus” (1916), “Das fidele Gefängnis” (1917), “Meyer aus Berlin” (1919) e o especialmente fascinante “Die Puppe” (1919).

Considero muito simpática a forma como o protagonista frequentemente quebra a quarta parede, um recurso que reforça o tom farsesco, teatral, convidando o espectador para fazer parte da brincadeira.

  • Você encontra o filme com facilidade garimpando na internet.
Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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