No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.
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A Saga de Gösta Berling (Gösta Berlings Saga – 1924)
O padre Gösta Berling (Lars Hanson) desiste do sacerdócio e começa uma busca sobre os valores da moral e da redenção fora dos ditames da religião. Entre as várias mulheres que conhece, uma em especial lhe oferecerá salvação espiritual e o reencontro com a fé.
Um drama épico da era silenciosa com mais de 3 horas de duração, dirigido por Mauritz Stiller, com fotografia elegante de Julius Jaenzon, a produção mais cara da AB Svensk Filmindustri até aquele momento, adaptando a obra homônima da autora Selma Lagerlöf, acabou se eternizando nas mentes dos cinéfilos mais dedicados por ter sido o veículo que apresentou ao mundo o talento e a enigmática beleza da jovem Greta Lovisa Gustafsson, Greta Garbo, que, apesar de não ser a protagonista, enfeitiça o público desde o primeiro momento em que aparece em cena.
A era de ouro do cinema silencioso sueco deve muito aos esforços de Stiller e Victor Sjöström, os dois utilizaram os escritos da nobelizada Lagerlöf como fonte criativa, mas a abordagem do primeiro envelheceu melhor, exatamente por entender que é mais eficiente captar e transmitir o espírito de um livro, explorando formas poéticas de interpretar as mensagens originais, ao invés da simples fidelidade à letra.
Longe de ser uma experiência cansativa, surpreende como a trama complexa, enriquecida por enredos paralelos que envolvem elementos como culpa e redenção, fisga a atenção e recompensa emocionalmente o espectador em seu desfecho. Eu destaco sobremaneira a tensa sequência em que lobos famintos perseguem um trenó através de um lago congelado.
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