Críticas

Crítica de “Epic – Elvis Presley in Concert”, de Baz Luhrmann

Epic – Elvis Presley in Concert (2025)

Assista a esta obra na melhor sala de cinema, ela foi pensada para o IMAX, ela merece a melhor qualidade de som e imagem. Não é um documentário, não é um filme-concerto, o diretor brilhantemente criou uma experiência sensorial verdadeiramente única, o conceito é onírico, um poema sinfônico que vai emocionar profundamente fãs de todas as idades e vai abalar as convicções daqueles que até o momento desprezavam o legado do artista.

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A minha relação com a obra de Elvis Presley é intensa desde pré-adolescente, eu era extremamente introvertido, ele me ajudou a fortalecer minha autoestima durante a fase de bullying escolar, ganhei confiança para soltar a minha voz em todos os sentidos, inclusive cantando. Eu me recordo vividamente de escutar praticamente todos os dias o disco “How Great Thou Art” ao acordar, enquanto me arrumava para a escola, para acalmar meu espírito.

Como crítico, no ano de 2010, entrei em contato com a Paramount e fui o responsável direto por trazer para o Brasil oficialmente os DVDs dos filmes “Balada Sangrenta” e “Feitiço Havaiano”, dentro da caixa Film Rock Legend. No ano de 2018, eu fui o curador da mostra “Elvis é Joia”, no Cine Joia (Copacabana – RJ), cinco noites mágicas em que apresentei filmes de sua fase hollywoodiana e, antes de cada exibição, cantei pérolas de seu repertório.

Na realidade, sendo um estudioso da carreira dele, sempre soube do potencial cinematográfico de sua vida, mas, por algum motivo, todas as tentativas neste sentido naufragavam, vários telefilmes fracos, projetos equivocados. O caso é que, em 2001, quando eu assisti ao “Moulin Rouge”, de Baz Luhrmann, fiquei apaixonado pelo filme e pensei que este diretor seria perfeito para a tarefa, já que ele entenderia bem o aspecto da teatralidade, algo essencial na jornada do cantor, um elemento fundamental para se compreender a sua história.

CLIQUE AQUI PARA LER A MINHA CRÍTICA DE “ELVIS” (2022), DE BAZ LUHRMANN. 

Ao buscar cenas para o projeto de 2022, o diretor encontrou em uma mina de sal subterrânea registros raros de filmagens feitas para “Elvis – That’s The Way It Is” (1970) e “Elvis On Tour” (1972), longas entrevistas, momentos descontraídos que mostravam o companheirismo da máfia de Memphis nos bastidores, ensaios que evidenciavam o carinho e a admiração dos membros da banda pelo cantor, em suma, um tesouro nas mãos de um cineasta sensível com uma boa ideia.

E a ideia de Luhrmann é excelente, utilizar os áudios das entrevistas para imaginar o próprio Elvis contando para seus fãs a sua versão da história, mesclando canções na trilha objetivando as simbologias metafóricas mais inesperadas e criativas (por exemplo, resgatar lindamente a lembrança da infância pobre ao potencializar uma frase da letra da agitada “Polk Salad Annie”), explorando a dedicação absoluta dele nos palcos, o seu carisma imbatível, o amor pela música gospel, sem qualquer floreio de estilo que não seja estritamente necessário.

CLIQUE AQUI PARA LER A MINHA ANÁLISE COM SPOILERS DE “ELVIS” (2022), DE BAZ LUHRMANN.

O início é frenético, abordando a reação do mundo às suas primeiras aparições televisivas, a convocação para o exército e o sonho como ator sendo realizado em Hollywood, o ritmo é intenso, como se o próprio Elvis estivesse ansioso para chegar logo na parte de seu retorno no International Hotel em Las Vegas.

Quando esta etapa é alcançada, o tom encontra equilíbrio, o narrador apascenta sua alma, o público é conduzido então pelo coração numa jornada musical fascinante. Cada canção representa um aspecto na construção da sua persona, nada é jogado na tela por acaso, o filme brinca com a fórmula do espetáculo, surpreendendo até mesmo os fãs mais dedicados, como quando insere durante o segmento gospel um breve momento em que Elvis entoa o hino “Nearer My God To Thee”, uma interpretação tremendamente impactante.

Eu considero poderosa a sequência em que Luhrmann reforça a classe de Elvis, quando ele é questionado por um repórter sobre seu desinteresse em se posicionar politicamente. A sua inteligente resposta, que ecoa repetidas vezes, não poderia ser mais atual. A obra, com esta corajosa atitude, desfere também um tapa com luva de pelica no doentio cenário cultural moderno, recheado de “artistas” fajutos, fantoches cretinos de ideologias tortas.

O resultado é (sem exagero retórico) eletrizante, “Epic – Elvis Presley in Concert” é o resgate de uma época em que o cantor precisava saber cantar, a celebração de um ídolo que jamais será esquecido (e pelos motivos certos), uma incrível viagem no tempo.

Cotação:

  • O filme está em cartaz nas salas de cinema brasileiras.

Trailer:

Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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