Críticas

Crítica de “As Pessoas ao Lado”, de André Téchiné

As Pessoas ao Lado (Les gens d’à côté – 2024)

Lucie (Isabelle Huppert) é uma agente especializada na polícia científica. Sua vida solitária é perturbada pela chegada de um jovem casal e sua filha pequena em seu condomínio. Enquanto Lucie conhece seus novos vizinhos, ela descobre que Yann (Nahuel Pérez Biscayart), o pai, é um ativista anti-polícia com um longo histórico criminal. O conflito moral de Lucie entre sua consciência profissional e seu desejo de ajudar essa família abalará suas certezas.

O trabalho do roteirista/diretor francês André Téchiné é problemático, considero “Minha Estação Preferida” (1993) uma boa exceção, obras como “Rosas Selvagens” (1994) e “As Irmãs Brontë” (1979) foram abraçadas pela crítica, mas não me encantaram em nenhum aspecto.

O seu filme anterior, “Almas Gêmeas” (2023), um esforço muito fraco, não me deixou esperançoso com este novo projeto. A presença da sempre competente Isabelle Huppert favorece o resultado, mas ainda me incomoda a frieza no estilo do diretor, um elemento que pesa negativamente nesta trama essencialmente humanista, torna tudo superficial. A escolha de utilizar com frequência o recurso da narração da protagonista não ajuda, trava ainda mais o ritmo já combalido.

O roteiro propõe uma discussão válida, espinhosa, mas em nenhum momento sabe aproveitar os diálogos para aprofundar a questão, prefere nadar na água morna. Esta postura inconscientemente quase fabulesca prejudica principalmente o desfecho.

“As Pessoas ao Lado” é melhor do que os últimos trabalhos do diretor, mas o potencial perdido entristece…

Cotação:

  • O filme estreia nesta semana nas salas de cinema brasileiras.

Trailer:

Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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