Críticas

Rebobinando o VHS – “X, Y e Z”, de Brian G. Hutton

X, Y e Z (Zee and Co. – 1972)

O arquiteto Robert Blakeley (Michael Caine), cansado de ter brigas com sua mulher, Zee (Elizabeth Taylor), se torna amante de uma bela e jovem viúva, Stella (Susannah York), que é dona de uma butique.

No triângulo amoroso, tratado com o tom libertário do período, há espaço para sequências dramaticamente fortes e inusitadas, como o momento em que Stella revela seu segredo para Zee, algo que jamais contou a ninguém, abrindo caminho para o plano de vingança da mulher traída.

Michael Caine entrega uma atuação de fria dissimulação, evidenciando o desgaste na relação, inserindo toques inesperados de humor negro em situações improváveis, como se tudo fizesse parte de um jogo masoquista de um casal entediado, sem filhos e socialmente confortáveis. Neste campo de batalha (o leitmotiv do duelo já estabelecido nos créditos iniciais, mostrando os dois jogando tênis de mesa), a figura fisicamente frágil (ponto abordado em cena) de Stella representa a pureza, uma jovem viúva, tímida, que se vê presa na teia da aranha.

O ponto brilhante da obra é levantar uma reflexão corajosa sobre liberdade. O casal é endinheirado, Robert e Zee podem fazer tudo o que quiserem, diferente dos hippies ferrados da época, que pregavam o amor livre. O conceito do matrimônio contratual, por si só, retira a liberdade, há um código moral no manual de regras. Como unir os dois impulsos? Stella não é endinheirada, trabalha modestamente, mãe de dois pré-adolescentes, ela é “pé no chão”, mantém a fala mansa, antítese em todos os sentidos à barulhenta Zee, em suma, uma adversária valorosa.

Excelentes diálogos, um roteiro “fora da casinha” de Edna O’Brien, a beleza estonteante de Elizabeth Taylor (carisma arrebatador) e Susannah York, e um desfecho que te deixa literalmente de queixo caído, “X, Y e Z“, de Brian G. Hutton (de “O Desafio das Águias”), é uma pérola britânica injustamente perdida nas prateleiras do tempo.

  • Você encontra o filme garimpando na internet.

Canção “Going in Circles”, cantada por Three Dog Night, moldura sonora do inesquecível desfecho:

Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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