Críticas

“A Dama Oculta”, de Alfred Hitchcock

A Dama Oculta (The Lady Vanishes – 1938)

Durante viagem de trem pela Europa, a jovem Iris torna-se amiga da Srta. Froy. Mas a simpática senhora desaparece misteriosamente e, quando Iris investiga seu paradeiro, os passageiros negam tê-la visto.

O melhor filme da fase britânica de Hitchcock, com uma trama passada em uma viagem de trem, utilizando como McGuffin a figura da enigmática senhora Froy, que desaparece exatamente no fim do primeiro ato. E, mais genial ainda, temos um Meta-McGuffin na forma de uma melodia que aparece logo no início, mas que só se revela importante ao final. Interessante perceber que o elemento da espiral, que o diretor trabalharia de forma definitiva em “Um Corpo que Cai” (Vertigo – 1958), já se mostra presente em seus primeiros projetos.

O título do romance no qual o filme se baseia: “The Wheel Spins”, alude ao movimento das rodas do trem, como símbolo e veículo onírico, ao mesmo tempo, de mobilidade e imobilismo. Não é coincidência que as rodas apareçam na montagem que acompanha o primeiro (serão cinco ao total) desmaio da personagem Iris (Margaret Lockwood), que está voltando para se casar com um homem que não ama, apenas pelo nome importante que ele carrega.

Detalhes que são perceptíveis em revisões acentuam o fato de que ela, como alguém que busca se tornar uma “Lady” ao se casar com alguém de classe social mais abastada, representando a sociedade britânica da época, é quem está verdadeiramente “desaparecendo” (vanishing).

* Você encontra o filme em DVD e, claro, garimpando na internet.

Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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