Críticas

“A Espinha do Diabo”, de Guillermo del Toro

A Espinha do Diabo (El Espinazo Del Diablo – 2001)

Durante a Guerra Civil Espanhola, o menino é levado a um orfanato, que esconde macabros segredos que envolvem uma criança desaparecida.

O filme de estreia de Guillermo del Toro, “Cronos”, sinalizava um grande potencial, que o diretor viria a exercitar com mais competência neste excelente conto de fantasmas. Ao negar a estrutura simplista de jump scares das tramas fantasmagóricas de Hollywood, resgatando a influência dos clássicos orientais no tema, como “Onibaba” e “Kuroneko”, dirigidos por Kaneto Shindo, misturada aos livros de M.R. James, o diretor entrega um relato pessoal pungente e melancólico sobre os efeitos da Guerra Civil Espanhola, o precursor de todos os conflitos fascistas da Europa, no psicológico das crianças.

A imagem do fantasma Santi, visualmente inesquecível, funcionando como uma metáfora para o legado de sofrimento que assombra o presente de um povo. Como o próprio narrador informa: o fantasma é uma tragédia que está fadada a se repetir eternamente. Complementado ideologicamente por “O Labirinto do Fauno”, este filme é uma prova de como o gênero do terror e da ficção científica podem ser, e quase sempre são, veículo para temas muito mais profundos do que os ditos dramas sérios e respeitados pela crítica.

* Você encontra o filme em DVD e, claro, garimpando na internet.

Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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