O Gato Preto (Yabu no Naka no Kuroneko – 1968)
No Japão medieval, um espírito vingativo mata samurais em um vilarejo. Enviado para enfrentar a força invisível, um famoso guerreiro terá que enfrentar seus demônios.
Assim como em “Onibaba”, o roteirista/diretor Kaneto Shindô ambienta a trama no conturbado período Sengoku, com o horror sendo despertado diretamente do sofrimento do povo com a guerra civil, mas, ao contrário do já citado, deixa de lado as influências do neorrealismo italiano e estabelece desde o início seus alicerces oníricos, abraçando com menos timidez os elementos do gênero.
O clima de pesadelo é construído com a ajuda de técnicas de iluminação e interpretação utilizadas no teatro Nô, numa combinação perfeita com uma edição nada convencional, resultando em algo que desorienta os sentidos do espectador. Vale ressaltar a mensagem crítica contra o paternalismo na sociedade japonesa, simbolizada pela vingança das mulheres, uma resposta feminista para o cinema samurai da época.
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