Casamento ou Luxo (A Woman of Paris: A Drama of Fate – 1923)
Os jovens Marie (Edna Purviance) e Jean (Carl Miller), apaixonados, decidem fugir para se casar. Eles se desencontram após uma confusão e ela embarca sozinha para Paris. Um ano depois, já casada com o magnata Pierre Revel (Adolphe Menjou), ela reencontra Jean e fica dividida entre os dois.
Este projeto passional do saudoso mestre Charles Chaplin foi recebido com frieza à época pelo público, mas o tempo se encarregou de fazer justiça, considero um dos melhores filmes da preciosa era silenciosa.
Um dos motivos que provavelmente prejudicaram a recepção da obra é a ausência de Carlitos (Chaplin aparece rapidamente como um carregador que joga uma mala no chão, muitos nem vão notar), apesar da trama entregar cenas claramente pensadas pelo viés cômico (como esquecer a reação da massagista diante da amiga falsa?), ela se desenvolve sob a sombra de uma nuvem trágica.
A protagonista, ao buscar o conforto de uma existência luxuosa na livre Paris (a localização foi pensada para favorecer a própria história, já que qualquer transgressão cometida lá seria aceita como normal pela censura), acaba aprisionada em um relacionamento de fachada com um endinheirado vaidoso, que enxerga as mulheres bonitas apenas como elemento decorativo. Quando descobre que seu troféu da vez está se reencontrando com um namorado antigo, um artista de vida modesta, ele não se ofende, não fica triste, ele se diverte.
Chaplin enriquece o aspecto cênico optando por uma intepretação realista do elenco, algo que batia de frente com a maneira de se trabalhar atuação em cinema, não há gestos grandiloquentes, caras e bocas teatralizadas, os personagens agem como se não houvesse uma câmera registrando tudo, talvez este ponto também tenha incomodado sensorialmente a plateia da época.
Os últimos vinte minutos são uma verdadeira aula, não somente pela forma como o diretor transmite a linda mensagem, mas também pelo impecável senso de ritmo, um melodrama de altíssima qualidade, elegante, com temática atemporal.
Trailer:
Trilha sonora composta por Charles Chaplin:
O Anjo da Morte (Blood of the Innocent - 1994) Um policial (Thomas Ian Griffith)…
Eu facilitei o seu garimpo cultural, selecionando os melhores filmes dentre aqueles títulos que entraram…
A Cabeça Contra a Parede (La tête contre les murs - 1959) François Gérane (Jean-Pierre…
CLIQUE AQUI PARA LER A MINHA ENTREVISTA COM CRISNA, A FILHA DO SAUDOSO DIRETOR ROBERTO…
Eu facilitei o seu garimpo cultural, selecionando os melhores filmes dentre aqueles títulos que entraram…
No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não…