Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia (1990)
Em 1987, em Goiânia, dois catadores (Paulo Gorgulho e Paulo Betti) de papel encontram uma cápsula radioativa e a vendem ao dono (Nelson Xavier) de um ferro-velho. Aberta a cápsula, mais de 250 pessoas acabam contaminadas pela substância chamada Césio 137.
O diretor Roberto Pires faleceu em 2001 devido a um câncer na garganta, que foi atribuído à exposição ao césio-137 enquanto ele filmava esta obra. A sua coragem se reflete em suas produções, driblando a falta de incentivo e os problemas técnicos que prejudicavam o cinema brasileiro do período, apostando em temas que fugiam do lugar comum que até hoje domina a mentalidade da nossa indústria.
“Césio 137 – O Pesadelo de Goiânia” não é o seu melhor trabalho, ele comandou pérolas superiores como “Tocaia no Asfalto” (1962), “Abrigo Nuclear” (1981) e “A Grande Feira” (1961), mas é um filme que segue sendo relevante, emocionalmente impactante, um competente e necessário registro que merece ser redescoberto pelo público atual, que teve seu interesse pelo tema reavivado após a ótima minissérie “Emergência Radioativa” (2026), de Gustavo Lipsztein, dirigida por Fernando Coimbra e Iberê Carvalho.
O elenco é excelente, Nelson Xavier, Joana Fomm, Paulo Betti, Stepan Nercessian, Paulo Gorgulho, Thelma Reston, Denise Milfont e Marcélia Cartaxo, todos afinados no mesmo diapasão cênico.
O desfecho pode parecer apressado, mas a proposta é clara, não há interesse na espetacularização da tragédia (ponto muito positivo, elegante), o roteiro, já no letreiro de abertura, aponta o perigo no horizonte da espécie humana, as consequências desastrosas do desprezo pelo conhecimento, a criminosa negligência daqueles que detinham a informação e o poder destruidor do medo.
O tom é sério, depressivo, o viés é crítico, Pires compreende que a prioridade neste caso não é entreter, mas sim, alertar, abrir os olhos.
Eu facilitei o seu garimpo cultural, selecionando os melhores filmes dentre aqueles títulos que entraram…
No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não…
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