No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.
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Perdidos na Tormenta (The Search – 1948)
A trama acompanha Karel (Ivan Jandl), um menino tcheco de 9 anos sobrevivente de Auschwitz, que vaga sozinho na Berlim do pós-guerra. Ele é acolhido por um soldado americano (Montgomery Clift), enquanto sua mãe (Jarmila Novotna) o procura desesperadamente em centros de refugiados.
O saudoso diretor austro-húngaro Fred Zinnemann comandou alguns dos melhores filmes de sua geração, como o importante “O Homem Que Não Vendeu Sua Alma” (1966) e o maravilhoso “Matar ou Morrer” (1952), além de pérolas como “A Um Passo da Eternidade” (1953), “Espíritos Indômitos” (1950), “Uma Cruz à Beira do Abismo” (1959), “A Sétima Cruz” (1944), “Júlia” (1977), “O Dia do Chacal” (1973) e “Ato de Violência” (1948).
Curiosamente, eu cresci lendo uma geração de críticos que espezinhava os seus esforços, com o tempo fui compreendendo como funciona o esquema, e, quando comecei a atuar profissionalmente na área, aprendi na prática que, para grande parte dos meus colegas, cinema representa apenas uma muleta intelectual, uma ponte para sinalizar ideologia política. Zinnemann celebrou o legado do cristão Thomas More, pronto, já é motivo para deslegitimar tudo o que ele fez, inclusive as tramas humanistas, sem qualquer apelo panfletário.
Nesta realidade atual cada vez mais doentia, resgatar a sua arte é fundamental. O filme que escolhi desta feita é injustamente pouco lembrado, uma história sensível, que emociona do início ao fim. Ao focar nos traumas que o conflito provoca nas crianças inocentes, as vítimas que sempre são esquecidas nas páginas da História, o roteiro se debruça inteligentemente (principalmente em seu início, estabelecendo o tom) em uma estrutura de documentário.
As filmagens foram realizadas na Alemanha apenas três anos após o final da guerra, os cenários destruídos são reais, você sente o peso dramático na atuação do elenco. A imersão emocional é plena, você se importa com o destino do menino e, remando contra a corrente pessimista dos similares europeus do período, “Perdidos na Tormenta” aposta na esperança e recompensa positivamente o público ao final.
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