Críticas

Crítica de “Michael”, de Antoine Fuqua

Michael (2026)

A história do superstar pop Michael Jackson (Jaafar Jackson), desde seus extraordinários primeiros dias no Jackson 5 até o artista visionário cuja ambição criativa alimenta uma busca implacável para se tornar o maior artista do mundo.

A crítica mundial está injustamente apedrejando a obra, nenhuma análise parece preocupada em apontar possíveis problemas de execução, os textos demonstram incômodo com a proposta do filme.

É uma abordagem equivocada em sua essência, deslegitimar o esforço artístico porque ele não entrega aquilo que ele não prometeu. Se o crítico já entra na sala escura com este pensamento, ele está na profissão errada, não há respeito pela arte.

“Michael” é uma celebração do legado musical do homenageado, o roteiro do competente John Logan (de pérolas como “A Invenção de Hugo Cabret”, “O Último Samurai” e “Gladiador”) explora um recorte histórico objetivo, da infância do cantor até o auge da fama com o disco “Bad”, lançado em 1987.

O leitmotiv é superação, acompanhamos a insegurança da época em que se apresentava com os irmãos ser transformada na mitificação consciente alimentada pelo amor do público. Talvez, uma continuação, algo que já está sendo divulgado, abrace recortes temporais espinhosos, que permitam voos criativos mais desafiadores, mas a missão deste projeto é cumprida com inteligência emocional.

A forma encontrada para desenvolver esta narrativa é simples, profundamente reverente. A direção de Antoine Fuqua, fora de sua zona de conforto, transmite bem o carinho pela jornada deste ícone, e, principalmente, por seus fãs.

Há delicadeza em cada escolha, tudo é bastante calculado, algo que definitivamente reveste a trama de uma atmosfera sobremaneira comedida, um ponto que inegavelmente limita a execução, e, claro, pode incomodar aqueles que não são fãs do artista, aqueles que não estão envolvidos emocionalmente com o material.

Como filme, o resultado é positivo, honesto. Jaafar, sobrinho de Michael, realiza um excelente trabalho de caracterização, há momentos que realmente arrepiam pela semelhança, ele acerta ao equilibrar a vulnerabilidade psicológica dos bastidores e a força enigmática da persona nos palcos. Não era uma tarefa fácil, qualquer deslize poderia comprometer a imersão. A sua entrega merece aplausos de pé!

Vale o ingresso, ótima opção para quem quer relembrar aquele período mágico, apresentar a sua música para os filhos, esta geração atual tão carente de tudo. Uma vibrante viagem no tempo.

Cotação:

  • O filme estreia nesta semana nas salas de cinema brasileiras.

Trailer:

Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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