Seis Dias Naquela Primavera (Six jours, ce printemps-là – 2025)
Apesar das dificuldades, Sana (Eye Haïdara) tenta oferecer férias de primavera aos seus gêmeos. Como seu plano vai por água abaixo, ela decide ficar com eles na luxuosa vila de sua ex-sogra na Côte d’Azur.
O realizador belga Joachim Lafosse já fez bons filmes, destaco “Propriedade Privada” (2006), mas ele errou a mão feio em seus últimos projetos, “Os Cavaleiros Brancos” (2015) chega a ser constrangedor, “Um Silêncio” (2023), o seu esforço anterior, uma experiência praticamente insuportável, logo, não me animei muito para sua nova obra.
O primeiro ato é um tanto quanto arrastado, mas o ritmo melhora quando os cacoetes típicos de diretor inseguro dão lugar ao interesse genuíno no desenvolvimento do conceito apresentado. Infelizmente, o tédio volta a dominar próximo ao desfecho. Tantos caminhos que não são explorados, os filhos pequenos passando a compreender as mudanças no relacionamento dos pais após a separação, talvez este seja o elemento mais importante, algo que se reduz a mostrar frequentemente os seus rostinhos tristes. É tudo estético, vazio, pueril.
Há uma quantidade considerável de cenas que se alongam desnecessariamente, como a preparação de um polvo e um descontraído jogo de bocha, além de repetições de situações que reduzem o efeito da mensagem que já havia sido transmitida, tempo precioso que poderia ter sido dedicado, por exemplo, no refinamento da relação da família (várias montagens com a câmera claustrofobicamente acompanhando seus rostos sorridentes em viagens de carro funcionam melhor em comerciais de margarina), para que não ficasse a impressão de algo muito decorativo, feito para impressionar o público dos festivais, aquele que vibra quando o cineasta filma por horas uma árvore de cabeça para baixo.
A atriz franco-maliana Eye Haïdara realiza um excelente trabalho, ela é a responsável por manter a atenção do público até o final, apesar do roteiro não a presentear com boas oportunidades. Ela entrega no silêncio, nos olhares desviados, na tristeza insinuada em momentos aparentemente tranquilos, uma forte carga emotiva que compensa o desleixo narrativo.
O que entristece é saber que há uma boa história em “Seis Dias Naquela Primavera”, uma que facilmente caberia em um competente e sensível média-metragem, mas que se perde nos excessos estilísticos de Lafosse, que tentam evocar Éric Rohmer, só que sem sangue nas veias.
Cotação:
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