Touch (Snerting – 2024)
Uma história romântica e emocionante que se estende por várias décadas e continentes, acompanha a jornada emocional de um homem (Egill Ólafsson/Palmi Kormákur) para encontrar seu primeiro amor, que desapareceu há 50 anos, antes que seu tempo se esgote.
O meu primeiro contato com a obra do diretor islandês Baltasar Kormákur foi com o excelente “Sobrevivente” (2012), escrevi sobre ele à época (clique aqui para ler o texto), indiquei em participações na rádio Roquette Pinto, no Painel da Manhã, ele entrou na minha lista anual dos melhores lançamentos, tentei jogar luz nesta pérola que havia passado despercebida no país.
Nas produções posteriores, ele manteve a qualidade, mas não entregou nada que superasse aquela experiência. Em “Touch”, que acaba de ser disponibilizado no Brasil pela plataforma Netflix, Kormákur opera novamente o pequeno milagre, adaptando o livro homônimo de Olaf Olafsson.
A trama, inserida contextualmente no experimento comportamental em escala global, traz, aos olhos dos lúcidos, representado na atitude de seu protagonista, um revide elegante, discreto. No momento em que impuseram às massas o distanciamento humano, Kristófer enxergou a oportunidade preciosa de resgatar a memória de um amor que havia se perdido na sua juventude. Aqueles mais atentos vão captar a corajosa analogia que é proposta entre este cenário e a perseguição aos sobreviventes de Hiroshima.
O homem caminha tranquilo, sereno, atravessando a estrada que estava sendo pavimentada pelo medo aprisionador, consciente da importância de sua missão, uma tarefa que não estava alicerçada na mentira, na enganação, algo que precisava ser feito, um caso de amor puro e belo que renasce exatamente no momento em que o mundo estava sendo jogado no abismo da maldade.
A estrutura do roteiro passeia por diferentes recortes temporais com fluidez, o terceiro ato surpreende em seu desenvolvimento, alcançando uma rara maturidade psicológica. Eu destaco especialmente a fotografia de Bergsteinn Björgúlfsson, parceiro usual do diretor, que, mais do que guiar o público através das diferentes épocas retratadas, estabelece sutis rimas visuais poéticas que imediatamente transportam o espectador para o estado emocional do personagem.
“Touch” é um filme delicado, terno, que provavelmente será beneficiado em revisões.
Cotação:
Trailer:
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