Críticas

Crítica de “Era Uma Vez Minha Mãe”, de Ken Scott

Era Uma Vez Minha Mãe (Ma Mère, Dieu et Sylvie Vartan – 2025)

A trama, baseada em uma história real, acompanha Esther (Leïla Bekhti), uma mãe judia dedicada que, em 1963, ignora prognósticos médicos e promete ao seu filho (Gabriel Hyvernaud/Naim Naji/Jonathan Cohen), que nasceu com deficiência no pé, uma vida normal e maravilhosa.

Que filme verdadeiramente adorável é este “Era Uma Vez Minha Mãe”! Uma grata surpresa, produção franco-canadense dirigida pelo comediante Ken Scott, adaptando a autobiografia homônima de Roland Perez.

Scott roteirizou o simpático “A Grande Sedução” (2003) e comandou “Meus 533 Filhos” (2011), demonstrando segurança ao inserir considerável dose de sentimentalismo em conceitos essencialmente nonsense, mas se superou em todos os aspectos neste novo trabalho, entregando o equilíbrio perfeito.

Quando li sobre a trama, não pude deixar de lembrar de “Um Toque de Amor” (clique aqui para ler meu texto sobre ele), em que Diane Lane vivia uma adolescente com paralisia cerebral que encontrou, no amor pelo seu ídolo na música, Elvis Presley, o estímulo necessário para superar suas limitações físicas.

Ao invés da enfermeira vocacionada, temos a mãe superprotetora, vivida brilhantemente pela argelina Leïla Bekhti. Ao invés de Elvis, temos a francesa Sylvie Vartan, que, por sinal, começou em sua carreira na década de 60 altamente influenciada pelas músicas do eterno Rei do Rock. A sua presença no filme, linda aos 81 anos de idade, potencializa a recompensa emocional do sensível terceiro ato.

Eu destaco uma cena que considero fundamental por sintetizar a força do relacionamento de mãe e filho. Quando criança, Roland acompanha impressionado os esforços teatralizados de Esther, atravessando variados espectros da emoção, para burlar o sistema e manter o controle da situação.

Os fiscais querem impor ao pequeno uma existência humilhante, mas a leoa ferida potencializa cada gesto, no intuito de ganhar o argumento pelo coração. Aos olhos do menino, em câmera lenta, cada movimento ganha contornos épicos. Ao atingir a maturidade, o roteiro repete inteligentemente o enquadramento evidenciando que a lição foi absorvida, ele, agora um advogado respeitado, adota a mesma técnica no tribunal. Uma ideia simples e elegante, muito bem executada.

O filme é perfeito para se assistir neste Dia das Mães, uma experiência enternecedora que provavelmente será beneficiada em revisões.

Cotação:

  • O filme estreia nesta semana nas salas de cinema brasileiras.

Trailer:

Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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