Críticas

Dica do DTC – “O Comprador de Fazendas” (1951), de Alberto Pieralisi

No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.

***

O Comprador de Fazendas (1951)

Ao ver sua fazenda em ruínas, um vigarista (Procópio Ferreira) tenta vendê-la para a primeira pessoa interessada, que por acaso é um homem (Hélio Souto) que finge ser milionário, mas na verdade não tem condições de pagar pela propriedade.

O diretor italiano Alberto Pieralisi viveu muitos anos no Brasil e comandou pérolas na Companhia Cinematográfica Vera Cruz, o período mais elegante da nossa indústria. Ele se aventurou em diversos gêneros, até mesmo a ficção científica, como no excelente “O 5º Poder” (1962), mas era na comédia que ele se sentia mais confortável.

Esta simpática história, para a Companhia Cinematográfica Maristela, que adapta o conto homônimo da antologia “Urupês”, do saudoso mestre Monteiro Lobato, conta com a participação breve, mas importante, do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. É louvável o respeito do roteiro com a obra original, que foi sugerida ao diretor pelo próprio autor. Lobato estava empolgado com o projeto e chegou a se prontificar para ajudar na produção, mas infelizmente faleceu pouco tempo depois.

Na direção de fotografia, o grande Aldo Tonti, de parcerias incríveis com Fellini, Rossellini e Camerini, garantindo o alto nível de qualidade que os tontinhos complexados do Cinema Novo fizeram questão de deslegitimar nas décadas seguintes.

O ponto alto é, sem dúvida, o talento do grande Procópio Ferreira, que chegou a ser premiado por este trabalho. A sua presença de cena é impressionante, dá até pena comparar com o que se considera humor no tétrico cinema brasileiro atual.

Uma curiosidade, Pieralisi viria a refilmar a trama na década de 70, um esforço competente, ainda que inferior, protagonizado por Jorge Dória e Agildo Ribeiro.

  • Você encontra o filme com facilidade garimpando na internet.
Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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