Guilty Pleasures – “Quem Não Corre, Voa!”

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    Quem Não Corre, Voa! (The Cannonball Run – 1981)

    Revisitando o filme recentemente, posso afirmar que ele não
    possui mérito algum que o eleve acima de qualquer comédia de sua época. A
    direção do dublê de ação Hal Needham (de “Agarra-me se Puderes”) é ruim e
    desordenada, seu trabalho com os atores é praticamente inexistente, fator que
    nesta obra chega a agregar. São tantos astros e egos inflados que fica a
    impressão para quem assiste, que nem mesmo os atores sabiam muito bem como
    seria o resultado final. Todos parecem estar em um grande “acampamento de
    férias” muito bem remunerado.

    A história é um simples pretexto para preencher as lacunas
    entre uma brincadeira e outra. Nem todas funcionam, a maioria envelheceu mal e
    algumas aparentam não ter funcionado nem mesmo em sua época. Na ilegal corrida
    “Cannonball”, pessoas de várias partes do mundo e de variadas profissões se
    juntam em busca do prêmio final, levando a sério a máxima: os meios justificam
    os fins.

    Entre os participantes somos presenteados com personagens
    unidimensionais que parecem ter acabado de sair de uma revista em quadrinhos.
    Dean Martin e Sammy Davis Jr. roubam as cenas como trambiqueiros travestidos de
    padres. Martin deve ter bebido duas garrafas de whisky antes de cadatake,
    pois são dele as improvisações mais engraçadas, como quando responde a um
    pedido de bênção de Dom DeLuise. Como esquecer também do eterno James Bond:
    Roger Moore, interpretando um mimado “filhinho da mamãe” que acredita ser o
    famoso ator “Roger Moore”? Burt Reynolds e Dom DeLuise comandam o espetáculo,
    com uma química imbatível e que nos mantém interessados mesmo nos momentos mais
    fracos.

    “Quem Não Corre, Voa!” é garantia de diversão, mais pelo
    clima de camaradagem em cena, do que pelas piadas. É um desfile de rostos
    conhecidos, como Jackie Chan, Peter Fonda e Farrah Fawcett em uma trama
    minúscula onde sobra espaço até para um alter-ego heróico, com direito a capa,
    máscara e música tema (cantarolada pelo próprio): Capitão Caos! É ruim, bobo,
    cheio de falhas, mas eu adoro.


    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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