Críticas

“Planeta Proibido”, um dos SCI-FI mais encantadores da década de 50

Planeta Proibido (Forbidden Planet – 1956)

A tripulação de uma nave espacial chega a um planeta distante habitado pelo Dr. Morbius, sua linda filha e um robô. A vida deles é constantemente ameaçada por uma criatura invisível.

Em meio a tantas aventuras espaciais tolas e realizadas com baixo orçamento na década de 50, a MGM decidiu investir pesado em uma trama de ficção científica inspirada em “A Tempestade”, de William Shakespeare, roteirizado por Cyril Hume, que, no mesmo ano, foi o responsável pelo excelente “Delírio de Loucura”, de Nicholas Ray. O herói é vivido pelo jovem Leslie Nielsen.

A cereja do bolo, a ameaça alienígena, desenhada pelos profissionais dos estúdios de Walt Disney. É inteligente a ideia de manter essa força incontrolável de destruição, uma manifestação do subconsciente de ódio do ser humano, como um elemento invisível, sinalizada pelas pegadas monstruosas que deixa no solo, confiando na imaginação do espectador. O que não se vê é sempre mais assustador.

O conceito freudiano era altamente inusitado à época, inserido em um produto de puro entretenimento, superestimando o público-alvo que costumava lotar as sessões descompromissadas do gênero. Ao invés de apostar nos genéricos monstros e robôs destruidores, o roteiro incita a reflexão sobre o desejo do homem de conquistar outros mundos, e, devido a essa insaciável ambição tecnológica, seu consequencial desinteresse, cada vez mais latente, no aprimoramento psicológico individual.

O aumento do conhecimento, o estímulo do raciocínio, será responsável por avanços científicos, mas, na mesma medida irá gerar uma evolução na capacidade destrutiva. Este questionamento é um dos principais motivos que impediram o envelhecimento do projeto, apesar de, obviamente, os efeitos visuais não causarem mais deslumbramento. A influência dele pode ser mensurada de forma simples, apenas imaginando que, sem ele, provavelmente não haveria a série “Jornada nas Estrelas”. Gene Roddenberry bebeu generosamente da fonte do clássico dirigido por Fred M. Wilcox.

A imagem icônica do robô Robby, que entrou para a cultura pop, acaba sempre chamando mais atenção, porém, sua participação no filme, apesar de muito eficiente enquanto alívio cômico, é, afirmo com segurança, o elemento menos interessante nesta excelente obra.

Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

Recent Posts

Dica do DTC – “Perdidos na Tormenta”, de Fred Zinnemann

No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não…

2 dias ago

PÉROLAS que ACABAM de entrar na PRIME VIDEO

Eu facilitei o seu garimpo cultural, selecionando os melhores filmes dentre aqueles títulos que entraram…

3 dias ago

O cinema provocador do diretor grego NIKOS NIKOLAIDIS

Os cinéfilos dedicados já conhecem a obra do diretor Yorgos Lanthimos, quando escrevi meu primeiro…

7 dias ago

PÉROLAS que ACABAM de entrar na AMAZON PRIME

Eu facilitei o seu garimpo cultural, selecionando os melhores filmes dentre aqueles títulos que entraram…

7 dias ago

ÓTIMOS filmes que ACABAM de entrar na NETFLIX

Eu facilitei o seu garimpo cultural, selecionando os melhores filmes dentre aqueles títulos que entraram…

1 semana ago

Crítica de “Michael”, de Antoine Fuqua

Michael (2026) A história do superstar pop Michael Jackson (Jaafar Jackson), desde seus extraordinários primeiros…

1 semana ago