Críticas

Crítica de “Você Não Estava Aqui”, de Ken Loach

Você Não Estava Aqui (Sorry We Missed You – 2019)

Ricky (Kris Hitchen) e a sua família lutam arduamente contra as dívidas desde o colapso financeiro de 2008. A certa altura, Ricky tem uma oportunidade de recuperar alguma independência com uma van novinha em folha e a possibilidade de ter o seu franchise como motorista de entregas por conta própria.

O diretor Ken Loach não é conhecido por ser sutil, mas ele já foi mais discreto, como no excelente “Eu, Daniel Blake”, ele se entrega neste novo projeto em seu estado mais didático, forçando demais a mão para provar a tese simplista de sua agenda política: os efeitos desastrosos do malvado capitalismo na vida de uma família da classe trabalhadora. Se você tem mais de 20 anos de idade e não revirou os olhos ao ler a frase, pode ser que aprecie mais a obra.

A execução, com exceção de alguns momentos narrativamente truncados, com utilização generosa de diálogos expositivos e/ou artificialmente apoiados em lugares comuns, surte o efeito emocional necessário, provoca catarse, mas acaba pecando pelo excesso, digno de telenovela, principalmente em seu terceiro ato. Ao explorar a jornada humilhante dos protagonistas, potencializando o melodrama, o filme parece se satisfazer mais com a desgraça da família do que os unidimensionais vilões, os desalmados empregadores.

Assim que o impacto natural passa, após o término da sessão, você começa a raciocinar com frieza sobre o roteiro de Paul Laverty, constatando que não há profundidade nas caracterizações, apesar do elenco se entregar com intensa naturalidade em todas as cenas, com destaque para a jovem Katie Proctor.

O desejo pela polêmica irada do discurso engajado frequentemente dilui consideravelmente a autenticidade das situações, salientando a previsibilidade dos acontecimentos, deixando expostos os fios panfletários nas mãos do titereiro.

Cotação:

Octavio Caruso

Viva você também este sonho...

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