No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.
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Manchada Pelo Destino (Pueblerina – 1949)
Aurelio Rodríguez (Roberto Cañedo) é libertado da prisão e tenta começar uma nova vida casando-se com Paloma (Columba Domínguez) e trabalhando em sua terra. Mas os proprietários de terras locais, os irmãos (Luis Aceves Castañeda e Guillermo Cramer) González, interferem em seus planos.

Emilio Fernández foi um dos maiores diretores da era de ouro do cinema mexicano, ele utiliza algumas convenções do gênero da comédia rancheira para subverter a expectativa do público (por exemplo, há fiesta, mas ela é emoldurada pela melancolia), explorando a desgraça de um povo guiado por líderes cruéis, com a fotografia de Gabriel Figueroa bebendo claramente da fonte de Sergei Eisenstein, operando milagres com baixíssimo orçamento, elemento novo na jornada do realizador, um desafio imposto pela crise na indústria do país. O período de filmagens foi de apenas três semanas. O roteirista Mauricio Magdaleno também precisou se adequar às limitações, algo que talvez explique a melhor qualidade dos diálogos.
A escassez de recursos se provou benéfica também na forma como a trama extrai o máximo de emoção em situações que, em obras similares, seriam engolidas pelos excessos típicos do melodrama. Esta sutileza realça a beleza da história simples, com a mensagem do amor à terra, recorrente na carreira de Fernández, ganhando força exatamente por se mostrar pura, desprovida de qualquer firula estética.
“Manchada Pelo Destino” é uma obra de apelo universal, atemporal, que se mostrou ainda melhor na revisão para este texto.
- Você encontra o filme com facilidade garimpando na internet.

