Demons – Filhos das Trevas (Dèmoni – 1985)

A trama acompanha duas jovens que ganham ingressos para uma misteriosa sessão de cinema em Berlim Ocidental, onde o filme em exibição se torna realidade e transforma os espectadores em demônios violentos.

Eu lia muitas matérias que citavam este filme nas revistas de cinema, passei a adolescência curioso, já que não encontrava a fita VHS nas locadoras da região.

O conceito parecia ser maravilhoso, terror foi meu gênero de formação, sentia frio na barriga de antecipação sempre que descobria algo novo no tema. Numa manhã ensolarada, durante meus frequentes garimpos culturais na feira da Uruguaiana (RJ), na época em que era possível encontrar, por preços absurdamente baixos, montanhas de fitas, tive a sorte de finalmente achar esta pérola, lançada pela FJ Lucas. O estojo estava quebrado, a capa bastante danificada, mas não havia mofo.

devotudoaocinema.com.br - "Demons - Filhos das Trevas", de Lamberto Bava

Que sensação incrível. A geração atual nunca saberá como era mágica esta experiência. Não havia internet, nem celular, você ficava tão ansioso que preparava tudo para aproveitar ao máximo. Comprava refrigerante, fazia brigadeiro, tirava o telefone do gancho para não ser interrompido, desligava a luz para criar o clima perfeito e colocava a fita no aparelho. Cada ruído fazia o coração bater mais rápido, cada cena aterrorizante causava aquela adrenalina de montanha-russa, as imagens ficavam guardadas na mente por décadas.

Eu lembro que amei o filme, na metade eu já tinha certeza de que a fama era justificada, nenhuma opção estética soava gratuita. A trilha sonora era empolgante, como em “Ruas de Fogo” (1984), mas o que realmente me chamava a atenção era a qualidade dos efeitos gore criados pelo grande Sergio Stivaletti, utilizando maquiagem, próteses, fluídos verdes vibrantes (toque de gênio), abraçando efusivamente uma pegada mais de revistas em quadrinhos (os olhos brilhantes dos endemoniados gritam esta inspiração), menos realista, mas não menos assustadora.

Lamberto Bava, filho do mestre Mario Bava, não tentou ser cool, não há artificialidade na sua execução, ele entregou de forma orgânica algo verdadeiramente descolado, divertido, com um ritmo intenso do início ao fim. A ideia do horror ser despertado através da apreciação artística fala diretamente ao coração de todo adolescente fã do gênero. O fato do ambiente cênico ser uma sala de cinema torna tudo ainda mais fascinante. O elemento do humor está lá, mas nunca em detrimento do suspense, quando o mal começa a agir, não há momentos de alívio cômico, o senso de urgência é real.

O desfecho estreita ainda mais a conexão com a nona arte como inspiração máxima. Quando o sobrevivente resgata a donzela e tenta fugir do local em uma motocicleta, utilizando uma espada samurai para atacar as criaturas, você sente vontade de virar as páginas, fantástico!

Na revisão para este texto, o carinho pela obra só aumentou, hoje em dia, com tanta produção que falha em tentar forçadamente soar cool, retrô, dá gosto de revisitar algo autêntico em todos os sentidos.

  • Você encontra o filme em DVD e, claro, garimpando na internet.

Trilha sonora composta por Claudio Simonetti:

Trailer:



Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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