No “Dica do DTC”, a nova seção do “Devo Tudo ao Cinema”, a intenção não é entregar uma longa análise crítica, algo que toma bastante tempo, mas sim, uma espécie de drops cultural, estimulando o seu garimpo (lembrando que só serão abordados filmes que você encontra com facilidade em DVD, streaming ou na internet). O formato permite que mais material seja produzido, já que os textos são curtos e despretensiosos.

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Explosão do Silêncio (Blast of Silence – 1961)

A trama acompanha Frankie Bono (Allen Baron), um assassino de aluguel amargurado que retorna a Nova York na época do Natal para eliminar um gângster. Durante o trabalho, ele se distrai por um reencontro do passado e acaba enfrentando dilemas que quebram sua rotina isolada.

Produzida no crepúsculo da era dos filmes noir, esta pérola sintetiza com extrema competência as suas características mais importantes. E, num ponto específico, inteligentemente transcende o gênero, utilizando o recurso da narração em segunda pessoa, defendida por Lionel Stander, agindo como uma consciência acusatória, potencializando o tom sombrio da narrativa.

A história dos bastidores já é incrível, Allen Baron, que tinha experiência no mundo das revistas em quadrinhos, decide peitar o sistema e, sem grana, dirigir seu primeiro longa-metragem. Ele tem a ideia básica e o figurino, logo, como uma espécie de teste cênico, começa a se filmar caminhando pela cidade, capturando imagens em locais sem permissão, em suma, o método clássico do cinema de guerrilha. O plano era utilizar o material para atrair a atenção de possíveis investidores, o papel do protagonista ficaria com o amigo da época do teatro, Peter Falk, que estava começando sua carreira com participações em séries de TV.

Baron conseguiu o objetivo financeiro de forma bem modesta, um valor irrisório, mas suficiente para o projeto. Falk, na mesma época, havia recebido uma proposta irrecusável em outra produção, então precisou declinar do convite. O diretor não pensou duas vezes, abraçou o personagem e, claro, inseriu cada segundo do teste cênico na trama. Utilizando equipamento emprestado e fazendo uso de tudo o que aprendeu sobre enquadramento como artista de quadrinhos, ele realizou intuitivamente o processo de forma rápida e objetiva.

“Explosão do Silêncio” dialoga com a pegada suja e realista do cinema independente norte-americano da época, como “Sombras” (1959), de John Cassavetes, mas tem personalidade própria, uma atitude corajosa que reflete a postura do seu idealizador.

  • Você encontra o filme com facilidade garimpando na internet.

Trailer:



Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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