Conheço Bem Essa Moça (Io la conoscevo bene – 1965)
Adriana (Stefania Sandrelli), uma ingênua camponesa italiana, se muda para Roma para se tornar uma estrela de cinema e experimenta o lado sombrio do negócio.
Antonio Pietrangeli foi um dos diretores mais competentes da era de ouro do cinema italiano, infelizmente seu nome é pouco lembrado.
Ele comandou pérolas como “Fantasmas em Roma” (1961), “O Magnífico Traído” (1964), “A Visita” (1963) e “Ádua e Suas Companheiras” (1960), além de um ótimo segmento da simpática antologia “As Rainhas” (1966), mas sempre indico “Conheço Bem Essa Moça” aos interessados como a melhor introdução ao seu estilo, uma trama que equilibra bem o elemento cômico, leve, e a forte crítica social.
O seu tema favorito era a sensibilidade feminina confrontada pelos impulsos bestiais do pós-guerra, e, neste filme, que conta com Ettore Scola como parceiro no roteiro, ele conseguiu abordar de forma muito eficiente a questão. O resultado não seria tão bom sem o carisma e a doçura angelical da belíssima Stefania Sandrelli, que exala autenticidade desde as primeiras cenas.
A sua Adriana está plenamente consciente de como a sociedade a enxerga, ela simplesmente escolhe manter sua essência intacta, frustração após frustração. Ela não permite que sua gentileza seja destruída pela mágoa. Quando o público é apresentado à sua origem extremamente simples e, principalmente, quando é revelado o peso da responsabilidade que carrega como esperança de prosperidade para os pais, o carinho pela personagem só aumenta. O espectador sabe que o sonho, naquela realidade imoral, representa uma mentira dolorida, mas, mesmo assim, passa a torcer pela jovem.
A trilha sonora de Piero Piccioni capta com inteligência o leitmotiv da trama, transmitindo a dor de uma alma pura sendo quebrada no exato momento em que se preparava para exibir sua plena potencialidade, uma aguardada “festa” que nunca começa…
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Trilha sonora composta por Piero Piccioni: