A saudosa Lola Flores (Maria de Los Dolores Flores Ruiz), atriz, bailarina de flamenco e cantora, lotava as salas de cinema espanholas nas décadas de 40 e 50, mas infelizmente foi esquecida no intensamente doentio mundo atual.

Ela entregava uma imagem radicalmente diferente do que as produções comerciais populares do país ofereciam na época, as protagonistas costumavam ser doces, passivas, fisicamente contidas, Lola explodia de carisma na frente da câmera, uma personalidade naturalmente magnética, passional, visceral, com expressões faciais dramáticas e a consciência performática de uma dançarina.

Grande parte dos roteiros em sua carreira exploravam estas características, os executivos sabiam que o público não estava interessado em pagar ingresso pela trama, ele queria apenas se conectar com a energia da atriz.

devotudoaocinema.com.br - Os MELHORES filmes com a atriz espanhola LOLA FLORES

Eu sempre repito, mas vale reforçar, você encontra os filmes com facilidade garimpando na internet. Se começar a se disciplinar a PROCURAR antes de perguntar, um universo de possibilidades vai se abrir em seu caminho.

Para esta importante mudança de atitude, basta apenas desejar de fato o conhecimento. Quando você, brasileiro típico, quer se atualizar sobre qualquer fofoca cretina relacionada ao reality show que acompanha, tenho certeza que não fica perguntando nas postagens, você sai clicando em todos os links de blogs no tema e lê atentamente toda aquela baboseira. Ninguém te ensina a se alimentar, quando a fome bate. Enxergue o ato de autoaprimoramento intelectual como o sustento da alma.

No intuito de facilitar o seu garimpo cultural, utilizei meus critérios como crítico e selecionei os dois melhores momentos da atriz na tela grande.

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EMBRUJO (1948)

A trama acompanha Manolo (vivido por Manolo Caracol), um cantor de flamenco que enxerga em Lola não apenas uma dançarina extraordinária, mas também o alvo de uma profunda obsessão amorosa. Este amor não correspondido ultrapassa as fronteiras da razão e o faz cair em desgraça.

Dirigido pelo crítico, roteirista e cineasta Carlos Serrano de Osma, que dedicou seu início de carreira à ruptura da estrutura clássica que considerava engessada, o filme flerta com o surrealismo, uma estética expressionista muito eficiente.

Na revisão para este texto, constatei que o tempo foi um bom amigo da obra, que já prende sua atenção na primeira sequência, em que conhecemos a protagonista, já no crepúsculo da vida (e tida pela imprensa como uma “envelhecida glória”) recebendo uma homenagem nos palcos, sendo interpretada por uma jovem em ascensão.

Na superfície, pode parecer apenas um veículo comercial para as músicas, mas o olhar sagaz do diretor imprime nos detalhes do imaginário onírico um viés psicológico subversivo que provavelmente foi incompreendido pelas plateias da época.

Trecho:

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MORENA CLARA (1954)

Trini, uma jovem cigana, e seu tio (vivido por Miguel Ligero) são julgados pelo roubo de vários presuntos. Algum tempo depois, ela se apresenta, disfarçada de empregada, na casa do promotor (vivido por Fernando Fernán Gómez) que atuou em seu caso, e ele acaba se apaixonando por ela.

Dirigido por Luis Lucia Mingarro, esta refilmagem da pérola homônima de 1936, que havia sido protagonizada pela bela Imperio Argentina, adaptando a peça de Antonio Quintero e Pascual Guillén, é superior em vários aspectos, principalmente pelo roteiro, que abraça o tom de paródia e surpreende já nas primeiras cenas, com um senso de humor que (guardadas as devidas proporções) antecipa o que faria o grupo britânico Monty Python muitos anos depois.

Neste trabalho, Lola consegue demonstrar toda sua versatilidade, com o roteiro trazendo leveza cômica a cada momento. Um agradável desapego às regras narrativas simbolizado pelo já citado (longo) prólogo que convida o espectador a entrar na brincadeira. As canções são incorporadas de forma muito inteligente na história, outro ponto que merece ser salientado.

Trecho:



Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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