domingo, 11 de agosto de 2013

Woody Allen - Bananas

Antes de iniciar, (se é que existe a possibilidade de “não ter iniciado” algo que já se encontra no momento com noventa caracteres, cento e oito, cento e dezenove...), gostaria de lhes dizer que dessa vez não incorrerei no mesmo estilo dos outros dois textos desse especial. Acho um método cansativo e muito trabalhoso, ter que ficar diminuindo e aumentando o tamanho das fontes (se bem que a Fontana de Trevi eu bem que gostaria de diminuir e fazer ela caber no meu quarto), ficar diferenciando o que está escrito entre parênteses em itálico (porque não conseguimos manter promessas?) e ilustrar com imagens, chega dessa escravidão criativa. Pronto, já fiz minha imitação de Glauber Rocha, agora posso dar prosseguimento com o meu trabalho. Essas revoluções cômodas são bem diferentes daquelas que ocorriam em San Marcos, na década de setenta. Mas ainda não é hora de comentar sobre o filme, então relaxem na cadeira e tentem não rir com essa anedota:

“Durante a Revolução Francesa, milhares de pessoas foram guilhotinadas. Um dia, três homens estão esperando sua execução: um advogado, um médico e um engenheiro. O advogado vai ser executado primeiro. Ele é levado à guilhotina, o padre o abençoa, e ele coloca o pescoço no cadafalso. O carrasco solta a lâmina, que cai e para na metade do percurso. O padre, aproveitando a oportunidade, diz imediatamente: - Senhores, Deus não quis que este homem morresse! Temos que libertá-lo! - O carrasco concorda e o advogado é solto. O médico é o segundo. Mesmo ritual ocorre, quando a lâmina é solta, ela também para na metade do percurso. O padre, mais do que depressa, pede para libertá-lo e o carrasco também o atende. Enfim, a vez do engenheiro. O padre o abençoa, mas o engenheiro, ao colocar a cabeça no cadafalso, dá uma olhada para cima e diz: - Ah! Já descobri qual é o problema!”
                                                 (Anedota patrocinada pelos cigarros “Novo Testamento”)

Falar sobre religião é complicado, já que sempre acabamos ofendendo alguém (normalmente nunca os líderes religiosos, pois estão sempre ocupados recolhendo as oferendas ou estabelecendo favores políticos) e nunca aqueles que mereciam ser ofendidos. Claro que não culpo os fiéis que se dedicam a qualquer tipo de crença religiosa, “pois eles não sabem o que fazem”. Saber rir de si próprio é uma bênção, porém se você começar a gargalhar muito, deve então procurar um psicólogo urgentemente (ou refazer seu teste vocacional). Rir dos outros é um problema apenas se esses se levarem muito a sério, o que provavelmente abrirá uma fenda no espaço-tempo, causando grave prejuízo para os Klingons e um olho roxo em sua face. Sou um pouco alarmista, pelo menos é o que meu analista sempre me diz, logo após devolver meu cartão de crédito. Como não ser alarmista em 2012? Os Iluministas estão sempre sendo alvos de discussões, apesar de fazerem parte de algo secreto, porém, meu grande medo reside na possibilidade catastrófica de que nossa sociedade seja invadida pelos Grey´s Protestantes de Alfa Centauro, que viram que sua filial terráquea está angariando uma fortuna e querem um pedaço desse bolo. Nada mais justo, já que se trata de um bolo de proporções bíblicas.

“Fé, revolução e bananas, três coisas que podem ser descascadas, saboreadas e utilizadas para limpar DVD”.
   (Comentarista nonsense que se negou terminantemente a se identificar)

Enquanto procuro compreender a pretensa profundidade do comentário acima, aproveito para avisar que acabo de receber um presente da minha adorável avó, que, por uma coincidência mágica, leu esse meu texto, mesmo sem eu tê-lo postado ainda (o que terá acontecido, provavelmente, quando você o estiver lendo). Um vasinho de trevos de cinco folhas (mutante, sem dúvida) e uma cartinha que diz exatamente: “Não consegui diminuir a Fontana de Trevi, mas te presenteio com um vaso de Trevos”. Eu realmente devo refazer meu teste vocacional e contratar imediatamente minha avó para ser minha ghostwriter...

BOLETIM URGENTE
ACABA DE SER PEGADO EM FLAGRANTE, CORRENDO GARGALHANDO PELAS RUAS DA TIJUCA, O VULGO “COMENTARISTA NONSENSE” RESPONSÁVEL PELA MAIOR HERESIA ANÁRQUICA TEXTUAL (EM SUAS PALAVRAS) JÁ CONCEBIDA NA HISTÓRIA DO JORNALISMO. ELE ALEGA INOCÊNCIA E PROVA QUE TUDO O QUE DISSE ESTAVA CONTIDO EM SEU LIVRO SAGRADO. O VATICANO JÁ SE MOSTRA PREOCUPADO, ENQUANTO MILHARES DE TESTEMUNHAS AFIRMAM TEREM VISTO UMA ESTRANHA FORMA DISCOIDE DESCENDO DO CÉU E SUJANDO A CIDADE COM SANTINHOS DE UM NOVO VEREADOR.


Bananas (1971)
Na vida temos que nos apoiar uns nos outros (assumo que essa frase serve apenas para validar a imagem acima), batalhar aquelas guerras que consideramos justas, mesmo que o motivo principal seja uma bela garota, e saber que Cristóvão Colombo deu uma passadinha na republiqueta de San Marcos, antes de oficialmente descobrir a América (grato pela piada, Roberto Bolaños), sendo infectado por uma grave doença venérea. Não devemos ter vergonha de comprar revistas pornográficas nas bancas de jornal, mesmo aquelas em braile, para se divertir esfregando as partes mais eróticas, nem ajudar deliberadamente um motorista a danificar seu carro ao estacioná-lo (talvez devesse se envergonhar um pouco disso). O estilo de Woody Allen ainda estava se moldando, porém já se mostra perceptível nessa obra toda sua carga irônica corajosa, assim como a sua confiança autoral, que pode ser exemplificada pelas referências que são feitas, como a da escadaria de Odessa em “O Encouraçado Potemkin”. 

*Momento Crítico Chato de Cinema* (Um oferecimento de “Arrogol”, para aqueles que são arrogantes com orgulho)

Em uma cena clássica de desenvolvimento do personagem principal e sua namorada, pode-se perceber a utilização de um plongeé, que acompanha o casal em seu passeio por um parque, onde discutem sua relação.


Toda essa demonstração de pedantismo foi para explicar que Woody Allen demonstra, nessa referida cena, sua genialidade simples. O plongeé (“mergulhado” em francês, que denomina um enquadramento em que a câmera filma o objeto/cenário/pessoa/grupo de pessoas de cima para baixo, como se fosse uma visão pelo ponto de vista de Deus) é inserido de forma rápida e até desleixada, como se não houvesse importância alguma. Simbolicamente, esse fato isolado representa o modus operandi do cineasta, que dá muito mais valor ao que tem a dizer, que à forma como o diz, algo cada vez mais raro.

O filme é bastante episódico e irregular, o que demonstra o quanto Woody ousou, arriscou. Ele ainda estava aparando suas próprias arestas. Existem cenas que considero geniais, como a tortura com opereta e aquela em que nosso herói organiza a fila dos rebeldes condenados à morte. Allen chama pelo número vinte e um, quando um cidadão no meio da fila acena eufórico seu bilhete. A felicidade daquele condenado é hilária. Como esquecer a afirmação do revolucionário popular que é levado ao poder ditatorial, esquecendo-se de todas as promessas feitas anteriormente e pensando apenas em seu próprio enriquecimento e na escravidão de seu povo, pelo poder da ignorância controlada, coisa que nunca acontece no mundo real, convenhamos... Certo?

Nenhum comentário:

Postar um comentário