“Zorba – O Grego”, de Michael Cacoyannis

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Zorba – O Grego (Alexis Zorbas – 1964)

“O homem é condenado a ser livre” (Jean-Paul Sartre)

Cada personagem na adaptação da obra de Nikos Kazantzakis pode ser visto como uma representação de elementos da psicologia humana. O poeta/escritor britânico ao interagir com a força livre da natureza (o personagem Zorba) estabelece eficiente metáfora a todas as tentativas de se reconectar com suas potencialidades criativas.

O personagem vivido por Alan Bates chega à Grécia com a finalidade de tomar posse da herança deixada por seu pai. Ele representa o elemento da comodidade, conduzido por
motivações lógicas e cheio de regras autoimpostas. Afastou-se tanto de sua própria natureza (instinto), que drenou sua energia criativa. Sequer uma linha consegue escrever no papel de sua vida.

Esquecido de si mesmo, ele encontra sua antítese na forma do falastrão Zorba, vivido brilhantemente por Anthony Quinn, que esbanja descontrole emocional e racional, apaixonado pela vida. Do encontro entre o racional e o impulsivo, nasce uma grande amizade que enriquecerá a experiência de vida de ambos.

A cena mais famosa, um dos mais belos momentos da Sétima Arte, simboliza a comunhão harmônica entre estes dois extremos pela dança. Aquele jovem que observava passivo o mundo ao seu redor, agora desejava tomar parte nesta enorme celebração chamada vida. O ato da celebração é mais importante que o objeto que se celebra. O poeta aprende que confrontar um problema com uma sonora gargalhada, pode ser muito eficiente.

O roteiro (e direção) de Michael Cacoyannis não é perfeito, a construção de personagens é
correta, mas faltou oferecer a eles maiores confrontos, o que abala o ritmo e a intensidade do drama em alguns momentos, mas a força da mensagem que carrega e a maneira como Quinn transpõe esta vivacidade em seu personagem, torna “Zorba – O Grego” uma obra memorável e inesquecível.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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