Na Mira de 007: Parte 13 – Prova de Fogo

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    007 – Nunca Mais Outra Vez (Never Say Never Again, 1983)

    Era chegado o momento deRoger Moorepassar por
    seu teste de fogo, poisKevin McClorydecidiu refazer a história de “Thunderball”
    no cinema.Personagens como Blofeld e a SPECTRE voltariam na produção,
    porém várias marcas registradas da série não poderiam ser utilizadas, como a
    música-tema do personagem, o cano da arma na abertura e o crédito inicial
    musicado porMaurice Binder. O filme seria um filho bastardo não produzido
    pelaEON, empresa de Albert Broccoli, porém um elemento foi
    responsável por um compreensível temor dos detentores da série oficial: o
    aguardado retorno às telas deSean Connerycomo o espião. Após doze
    anos, ele retornaria ao papel que ajudou a criar, esbanjando carisma e com
    muito mais paixão que em 1971, quando se despedia sem muito entusiasmo em “Diamonds
    are Forever”.

    A trama era basicamente a mesma do filme de 1965: duas
    bombas nucleares são sequestradas pela organização de Blofeld, que ameaça provocar
    um acidente atômico se não houver o pagamento do resgate.Para o papel do
    vilão foi chamado o lendário ator suecoMax Von Sydow. Interpretando o
    personagem Maximilliam Largo, que antes fora de Adolfo Celi, um muito menos
    expressivoKlaus Maria Brandauer. No papel daBond GirlDomino,
    uma estreanteKim Basingerno auge de sua beleza. Antecipando uma
    decisão futura, os produtores optaram por um Felix Leiter negro, interpretado
    porBernie Casey. No recentereboot “Cassino Royale” o mesmo ocorreu,
    seria uma coincidência? A atrizBarbara Carrerafoi indicada ao Globo
    de Ouro por sua atuação como a vilã fria e calculista Fatima Blush.Talvez
    a decisão mais estranha tomada pela produção tenha sido a inclusão deRowan
    Atkinson(o “Mr. Bean”) na trama, como o desastrado agente Nigel
    Small-Fawcett, um alívio cômico desnecessário. Complementando a requintada
    produção, sua trilha sonora foi composta pelo músico francêsMichel
    Legrand. A fraca música-tema cantada porLeni Hall.

    A intenção de McClory era clara: produzir um filme muito
    superior aos que estavam sendo feitos com Roger Moore. As refinadas, não tão
    adequadas, escolhas de elenco e de diretor comprovam este fato. O competenteIrvin
    Kershner, de “O Império Contra-Ataca”, conduziu o filme de maneira
    correta, mas a primeira escolha de McClory havia sido Richard Donner, que
    declinou da decisão tempos antes do início da produção.O título do filme
    nasceu de uma brincadeira que a esposa de Connery lhe fez, quando o mesmo
    aceitou interpretar James Bond pela sétima vez. Ela lhe disse: “Jamais diga
    nunca novamente” (Never say Never Again). McClory não pretendia iniciar uma
    franquia, prova disso foi o final utilizado na produção, onde o herói
    intenciona se aposentar do serviço secreto e ficar ao lado de seu novo amor.

    Guardadas as devidas proporções, “Nunca Mais Outra Vez” é um
    bom filme de ação e torna-se memorável devido à elogiada atuação do fleumático
    protagonista. Elogios estes que deixaram Roger Moore enciumado, pois em uma
    entrevista da época, Moore, que estava filmando “Octopussy”, chegou a dizer: “Não
    acho que Connery devesse ter feito esse filme. O resultado é pouco mais que
    desconcertante”. O fato é que Connery realizou um milagre: tornou interessante
    um filme de Bond, sem os tradicionais e icônicos elementos que fizeram de 007
    um fenômeno cinematográfico.

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    007 Contra Octopussy (Octopussy, 1983)

    Os produtoresAlbert BroccolieMichael G.
    Wilsonsentiram o impacto do retorno deSean Connerye viram que
    não poderiam se acomodar, correndo para finalizar “Octopussy” e fazê-lo o
    melhor que podiam. O orçamento destinado à produção do filme foi de
    aproximadamente 110 milhões de dólares e isto fica evidenciado em cada frame da
    megaprodução.O roteiro foi retirado de um conto homônimo deIan
    Fleminglançado em 1966 e a direção ficou a cargo novamente do talentosoJohn
    Glen.

    Contrastando com o tom sério do filme anterior da franquia
    oficial, “Octopussy” desfila cor e vibração, o exotismo das locações na Índia
    em muito cooperaram com o clima da aventura. Na trama, 007 persegue um exilado
    príncipe afegão: Kamal Khan, vivido elegantemente porLouis Jordan, e sua
    associada, a enigmática contrabandista de joias: Octopussy (Maud Adamsem
    seu segundo papel na franquia).Roger Mooreiria se aposentar do
    papel após “For Your Eyes Only”, levando os produtores a procurarem um novo
    ator. Dentre os que fizeram testes para o papel estavam James Brolin e Timothy
    Dalton, porém ao saber que Connery iria participar do projeto “Never Say Never
    Again”, o orgulho de Moore falou mais alto e ele aceitou dar continuidade à
    série e provar-se merecedor do papel. O personagem Q (Desmond Llewelyn) também
    viria a ter uma maior participação nesta produção, entregando a Bond suagadgetmais
    espirituosa: um minissubmarino em forma de jacaré que entrou para a galeria das
    mais famosas bugigangas já criadas para o agente. Dentre as cenas de ação, vale
    salientar a longa batalha no trem, onde o espião enfrenta os gêmeos atiradores
    de facas, muito bem editada porBob Simmons. A trilha sonora foi composta
    por um inspiradoJohn Barry. A canção “All Time High”, cantada porRita
    Coolidgeficou entre as quarenta mais tocadas nas paradas
    norte-americanas. Foi a segunda vez que a canção principal não foi tirada do
    tema do filme, sendo a primeira delas “Nobody does it Better”, do filme “The
    Spy who Loved Me”.

    A sequência final do filme, onde o espião se disfarça de
    palhaço para entrar no circo de Octopussy e desbaratar a ação criminosa, foi
    duramente criticada na época, assim como a fuga na selva ao som do famoso grito
    de Tarzan, aliado ao fato de Moore já aparentar a idade avançada. Os fãs não
    prestaram atenção aos críticos e compareceram em massa na estreia. O filme
    rendeu mais que “For Your Eyes Only” e “Never Say Never Again”, portanto, na
    batalha dos lucros, Roger Moore saiu vitorioso de sua prova de fogo. Entre
    mortos e feridos, no ano de 1983, quem saiu ganhando mesmo foi o público, que
    teve à sua disposição dois atores formidáveis dando tudo de si em filmes muito
    bons.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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