Na Mira de 007: Parte 22 – Equívocos no Caminho para a Redenção

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    007 – Quantum of Solace (2008)

    Qual o nível de perigo necessário para se moldar uma
    personalidade?Esta nova atitude narrativa iniciada no filme anterior
    consegue ao final deste projeto, chegar a algumas conclusões. A ideia dos
    produtores da franquia: minuciosamente detalhar a transformação psicológica que
    leva um homem comum a se tornar o agente secreto mais perigoso do mundo. Os fãs
    se irritavam com a falta de elementos tradicionais, porém o caso é que o James
    Bond interpretado porDaniel Craigé um espião em constante evolução.
    Nesta incursão, ele começa a descobrir as vantagens de se usar a inteligência
    em situações complicadas. Percebe que ao usar seu charme, persuadindo uma bela
    mulher, poderá mais facilmente conseguir o que deseja. Mas ainda não é desta
    vez que ele irá dar valor ao seu Martini personalizado.O Bond de “Quantum
    of Solace” está a caminho da sofisticação, descobrindo que a força bruta irá
    ajudar, porém só se aliada à estratégia.

    A direção equivocada, ainda que elegante, deMarc
    Forster(de “Em Busca da Terra do Nunca”), conduz com ação excessiva este
    projetoconclusivo. Na realidade, o filme é a segunda parte de uma obra
    única, de um conceito iniciado em “Cassino Royale”. Ao final deste, com o
    retorno de um dos mais importantes símbolos icônicos da franquia, os fãs teriam
    a constatação deste fato. O roteiro novamente escrito porPaul Haggis,Neal
    PurviseRobert Wadefala sobre a indústria da seca idealizada
    por um ambientalista cruel de nome: Dominic Greene, interpretado pelo francêsMathieu
    Almaric.O doentio vilão pretende tomar o controle do suprimento de água
    que abastece a cidade. A importância de Greene na trama é pano de fundo para
    uma amostra do poder da organização criminosa: “Quantum” (qualquer semelhança
    com a S.P.E.C.T.R.E. não é mera coincidência). Na melhor cena do projeto, vemos
    o herói infiltrado em uma apresentação de ópera lotada de soldados secretos da
    organização comunicando-se entre si, porém sem despertar a atenção de nenhum
    dos civis presentes. Brilhante momento que se utiliza do cenário gigantesco
    para mostrar sutilmente quão pequeno 007 se torna ao deparar-se com um séquito
    vilanesco tão bem orquestrado.

    O crédito musicado (devido ao medíocre trabalho da MK12,
    substituindo o excelente Danny Kleinman, que havia conseguido evoluir o
    trabalho iniciado por Maurice Binder), é estilizado e sem alma, evocando o tema
    do deserto. Outro ponto fraco é a canção-tema: “Another Way to Die” (Jack White
    e Alicia Keys) que, além de não empolgar, ainda parece não se encaixar com o
    que vemos na tela. Havia a possibilidade do retorno de Shirley Bassey, com
    insinuações de seu tema sendo inseridos na trilha oficial em alguns momentos,
    mas acabou tendo sua clássica elegância descartada em favorecimento a um
    barulho moderno. A trilha sonora deDavid Arnold mantém-se de bom nível,
    porém prejudicada pela fraca canção-tema. A canção rejeitada foi finalizada por
    Don Black e acabou sendo gravada por Bassey, com o título: “No Good About
    Goodbye
    ”. No filme seguinte, os produtores demonstraram que aprenderam com o
    erro, optando por uma cantora de real talento vocal e um estilo elegante e
    clássico, condizente com o legado do personagem.

    ABond GirlCamille (Olga Kurylenko) carrega em
    seu passado um trauma que a marcou irreversivelmente. Ela buscará a vingança
    contra o homem que arruinou sua vida. Esta situação remete a outraBond
    Girldo passado, mais precisamente a do filme “For Your Eyes Only”,
    interpretada por Carole Bouquet. A segunda conquista do espião na trama, a
    agente Fields (Gemma Arterton) terá um fim trágico e que remete à cena clássica
    de “Goldfinger”. O filme traz muitas referências descaradas a outros projetos
    da franquia, como “Moonraker” e “The Spy Who Loved Me”. O personagem deGiancarlo
    Giannini, o sofisticado René Mathis retorna e é o responsável pelo momento mais
    engraçado, onde a bordo de um táxi, tenta manter uma conversa muito importante
    ao celular. Outro símbolo que retorna é o agente da CIA Felix Leiter (Jeffrey
    Wright), que mais uma vez irá ser de vital importância no sucesso da missão de
    007. Sua participação é menor que no filme anterior, porém é muito interessante
    a maneira na qual seu personagem interage com o de Bond. Méritos para a direção
    que soube aproveitar o fato de que ambos já se conheciam, porém estavam
    incapacitados de se comunicar livremente.Judi Denchcontinua atuando
    com perfeição e sua M é um fator essencial na transformação do agente, algo que
    evoluiria para a melhor sacada da franquia, em “Skyfall”.

    A melhor cena de ação é aquela em que Bond pilota um avião e
    participa de uma perseguição aérea, culminando com uma cena de forte impacto
    psicológico. Ele terá que depender de Camille para sobreviver. “Quantum of
    Solace” é um filme curto, devido ao problema com a greve dos roteiristas, que
    prejudicou bastante o resultado final, com pouco mais de uma hora e quarenta
    de projeção, o que acaba servindo para reafirmar o fato deste projeto ser
    apenas a conclusão dos eventos apresentados no anterior. A MGM sofreu grande
    abalo financeiro em 2010, levando os produtores a suspenderem a realização do
    próximo filme. “Skyfall” não seria apenas mais uma tentativa dos produtores,
    mas sim a confirmação da competência de todos os profissionais que conduziram a
    criação deIan Flemingnestes cinquenta anos. A franquia ressurgiria
    das cinzas, com um sucesso de público e crítica, um feito a ser celebrado pela
    indústria.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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