Ingmar Bergman – “Crise”

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    Links para textos sobre os filmes de Ingmar Bergman:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2013/08/trilogia-do-silencio-atraves-de-um.html

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2013/08/trilogia-do-silencio-luz-de-inverno.html

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2013/08/trilogia-do-silencio-o-silencio.html

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2013/08/morangos-silvestres.html

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2013/08/fanny-e-alexander.html

    Crise (Kris – 1946)

    Nelly, uma jovem de 18 anos, vive com a mãe adotiva numa
    cidade do interior da Suécia. Tudo muda quando sua verdadeira mãe, proprietária
    de um salão de beleza em Estocolmo, aparece decidida a levá-la para a cidade
    grande. Encantada com as posses da mãe, Nelly decide acompanhá-la a Estocolmo,
    onde conhecerá o lado sombrio da natureza humana.

    Em seu primeiro filme, tendo como mentor e supervisor o
    grande Victor Sjostrom (diretor de “A Carruagem Fantasma”, que viria a
    trabalhar como o protagonista de “Morangos Silvestres”, um projeto idealizado especialmente
    para ele), que sempre aconselhava o jovem a manter suas cenas simples, Ingmar
    Bergman já insinuava o tom de tragédia existencial que iria emoldurar vários
    projetos de sua carreira. Com apenas vinte e sete anos, ele utiliza um mediano melodrama
    familiar como uma oportunidade para experimentar técnicas e estilos, adaptando
    a obra “Moderdyret” (Coração de Mãe), de Leck Fischer.

    Os executivos da “Svensk Filmindustri” apostaram no talento
    do garoto, mas não ficaram muito satisfeitos com os rumos da produção. Sjostrom,
    com toda sua experiência, foi chamado para ajudar Bergman nesse ousado primeiro
    passo. Nesse teatro filmado, com clara influência estrutural no trabalho do dramaturgo
    norueguês Henrik Ibsen, o diretor demonstra seu amadorismo nessa linguagem
    nova. Ele, como precoce diretor artístico do “Hälsingborg City Theatre”, ainda
    não havia aperfeiçoado a técnica de transpor cinematograficamente as suas
    ideias ainda fortemente teatrais. Já no primeiro minuto, uma narração afirma que
    as cortinas se abrem, apresentando então a personagem Nelly (vivida por Inga
    Landgré). A forma simplista como a dicotomia rural (idílico, puro) / urbano (corrompido,
    ruim) é estabelecida, acaba limitando ainda mais o potencial narrativo da
    trama. É interessante notar também a insegurança do diretor, excessivamente
    dependente de diálogos expositivos. Ferramenta essencial no teatro, mas que
    pode ser substituída no cinema pelo sábio silêncio, uma Arte que ele viria a
    dominar no futuro.

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