Faces do Medo – “Drácula” (1931) e “A Múmia” (1932)

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    Link para os textos do especial:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/p/faces-do-medo.html

    Drácula (Dracula – 1931)

    A trama conta a história do advogado Renfield (Dwight Frye),
    que chega ao castelo do Conde Drácula (Bela Lugosi), na Transilvânia, para finalizar
    o contrato de aluguel de uma propriedade em Londres. Ele não sabe, mas seu
    nobre anfitrião é um vampiro.

    Bela Lugosi. Apenas esse nome já bastaria para indicar a
    importância dessa obra na história do cinema de horror. O primeiro filme falado
    a lidar com um tema sobrenatural, responsável por tornar o “Universal Studios”
    uma referência no gênero, superado apenas pela “Hammer”, décadas depois.

    Como adaptação, possui falhas, como o fato de minimizar a
    personagem Lucy (Frances Dade), que se torna uma figura de decoração, e a
    equivocada alteração do Dr. Seward (Herbert Bunston), que se torna o pai da
    trágica Mina (Helen Chandler). O roteiro, no entanto, acerta com o personagem
    Renfield (Dwight Frye), que dá o pontapé inicial na trama (papel de Jonathan
    Harker, no original literário) transformando a esquisita caricatura imaginada
    por Bram Stoker em alguém tridimensional. Muitos críticos americanos afirmam,
    como elemento negativo, que o ritmo lento da narrativa se deve a uma maior
    fidelidade à peça teatral (iniciada em 1924) do que ao livro, mas é um
    pensamento equivocado. Mais de 40% da trama exposta no filme não existem na
    peça, como toda a sequência passada na Transilvânia, além de detalhes menores,
    como a viagem marítima do conde para a Inglaterra, um trajeto que ele percorre,
    na peça, de avião.

    A direção de Tod Browning não envelheceu bem, assim como
    também não podemos ignorar alguns “buracos” (como a entrada de Van Helsing na
    trama), mas a fotografia de Karl Freund, trabalhando muito bem as sombras como
    ferramenta narrativa, estabelece o clima perfeito. É válido afirmar que o tempo
    foi mais generoso com a versão espanhola, dirigida por George Melford e protagonizada
    por Carlos Villarías, gravada ao mesmo tempo nos mesmos cenários, para o
    mercado latino, mas o charme e a atmosfera da versão americana continuam
    eficientes.

    The Mummy 1932 - Faces do Medo - "Drácula" (1931) e "A Múmia" (1932)

    A Múmia (The Mummy – 1932)

    Em 1921, uma equipe de arqueologistas no Egito, liderados
    por Sir Joseph Whemple, descobre a múmia do príncipe Imhotep, que vivera há
    3.700 anos e que, por ter cometido um sacrilégio, teve como castigo ser enterrado
    vivo.

    É interessante analisar que, em seu tempo, a obra serviu
    como uma primária fonte de informação para a sociedade ocidental sobre o Egito
    antigo. Ele serviu como base para a visão que seria compartilhada por vários
    filmes similares ao longo dos anos. Assim como “King Kong”, mostra
    implicitamente a forma superior como os americanos enxergavam o Oriente, uma
    terra exótica, inferior e selvagem.

    O genial alemão Karl Freund, responsável pela fotografia de
    “Drácula” (e, anteriormente, “Metrópolis”, de Fritz Lang), foi escalado para
    dirigir a obra que teria a missão ingrata de manter a “Universal” no caminho da
    glória conquistada pelo já citado “Drácula” e “Frankenstein”. Ele chega a
    utilizar a mesma técnica de iluminar apenas os olhos, como forma de transmitir elegantemente
    a ameaça. Mais calcado no clima, que no “monstro” (vivido por Boris Karloff em
    conjunto com o excelente trabalho prostético de Jack Pierce), a produção ousou
    ao abordar um personagem que não havia se estabelecido no inconsciente coletivo
    do público na literatura, como os dois anteriores. Sem um molde para se basear,
    o roteiro segue em vários momentos a fórmula de “Drácula” (grande semelhança
    entre o “Dr. Muller” e o “Van Helsing”, por exemplo). O tempo foi generoso com
    o filme, sendo considerado hoje um dos melhores do ciclo de monstros do estúdio.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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