“Toque de Mestre”, de Eugenio Mira

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    Toque de Mestre (Grand Piano – 2013)
    Analisando com olhos que buscam verossimilitude, até mesmo o
    clássico de Hitchcock: “Um Barco e Nove Destinos” poderia ser criticado como
    altamente ilógico e cheio de furos. Ao percebermos que a trama é uma desculpa,
    com os sobreviventes no barco sendo uma metáfora que representa a sociedade
    alemã perante a ascensão do nazismo, começamos a nos focar em outros detalhes.
    É muito fácil descartar “Toque de Mestre” como tolo pela sua trama e eventuais
    implausibilidades narrativas, mas o elemento mais importante em um suspense é a
    eficiência do roteiro/direção na elaboração das cenas. E levando em
    consideração que o roteiro foi escrito pelo fraco Damien Chazelle, de “O Último
    Exorcismo – Parte 2”, e a direção ficou a cargo do pouco experiente espanhol
    Eugenio Mira, achei válido o resultado final desse projeto que tinha tudo para
    ser uma catástrofe.

    É interessante notar na iluminação e no trabalho frenético de câmera a óbvia
    inspiração nas obras que Brian De Palma realizou no gênero, especialmente
    “Vestida Para Matar”. Sua estrutura minimalista e claustrofóbica, que remete a
    “Por Um Fio” e “Velocidade Máxima”, acompanha um pianista (Elijah Wood) que
    executa seu concerto mais difícil após cinco anos se recuperando de um fiasco
    profissional, sabendo que irá morrer caso seus dedos errem alguma tecla do
    piano. John Cusack, num trabalho que prima pelas nuances em sua voz, interpreta
    o enigmático atirador que também ameaça a esposa da vítima, interpretada por
    Kerry Bishé.

    A voz é uma metáfora para o intenso pavor interno de um artista que tenta
    resgatar a coragem necessária para enfrentar novamente um público após um
    evento traumático, sabendo que a sua vida e a de sua família dependem de sua
    competência dedilhando o piano que era de seu mentor. A ideia de que em cada peça
    musical de pura beleza ocorre uma ingrata batalha entre a genialidade por trás
    da composição e os esforços tremendos do homem que treina para pôr em prática a
    complexidade de emoções propostas pelo autor. Deixando clara a função simbólica
    da trama, a motivação do terrorista, como em todos os filmes de temática
    similar, não é o foco do roteiro. Não dá para desprezar, por exemplo, a
    criatividade técnica empregada na melhor cena, onde o pianista luta para se
    comunicar pelo celular, enquanto se mantém tocando o piano. Também é impossível
    relevar um terceiro ato que desperdiça o potencial revelado nos primeiros
    trinta minutos, abraçando uma previsibilidade típica de roteiros escritos por
    estudantes.

    O filme possui vários problemas, excesso de diálogos expositivos e alívios
    cômicos pouco eficientes, mas em sua curta duração satisfaz precisamente
    naquilo que se propõe a oferecer.

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    Octavio Caruso
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