“Frank”, de Lenny Abrahamson

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    Frank (2014)

    Jon, vivido por Domhnall Gleason, é um músico esforçado, mas
    medíocre, que sofre caçando as letras de suas canções em passeios solitários
    pelas ruas, utilizando como inspiração qualquer elemento que atravesse em sua
    frente. Mesmo que seguido por míseras dezoito pessoas em seu Twitter, ele segue
    acreditando ser necessário detalhar sua rotina, uma ferramenta que o roteiro
    utiliza muito bem. Após um esforço árduo de criação, ele descobre que o máximo
    que havia conseguido era plagiar o trabalho de outro músico. Faltava a ele o
    elemento criativo do caos, que ele encontra por acaso ao presenciar a tentativa
    de suicídio de um artista, considerando então a possibilidade de tomar o lugar
    dele como o tecladista de sua banda de punk-rock.

    Esse microcosmo que parece saído de uma combinação das
    mentes de Lewis Carrol e Andy Kaufman, de nome coerentemente impronunciável, é
    formado por tipos esquisitos, como um empresário que acabou de sair de um
    hospício, uma jovem que simplesmente não sorri e um baixista que só fala francês.
    O grupo é liderado pelo enigmático Frank, vivido por Michael Fassbender, que
    esconde seu rosto com uma imensa e pesada cabeça de fibra de vidro,
    espertamente escondendo seus sentimentos com uma perene expressão infantil de
    alguém que se surpreende com o mundo ao seu redor. Jon tenta conduzir a banda,
    que realiza um som altamente experimental, para uma via mais comercial, o que
    permite ao roteiro inserir uma interessante crítica sobre esse dilema artístico
    tão comum nas mais variadas vertentes. O estranho Frank acaba se mostrando uma
    versão radicalmente projetada dos sonhos do rapaz, o metafórico reflexo
    narcisista do espelho que ele teme um dia encontrar. Revelar mais do que isso
    seria prejudicial para a experiência única que a obra oferece.

    Com um terceiro ato surpreendentemente emocionante, esse
    estranho e fascinante filme do diretor Lenny Abrahamson encontra uma forma
    original de abordar a angústia do processo criativo, indo contra o conceito
    mitológico de que a loucura pode ser uma benéfica força-motriz para a Arte.

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