Ingmar Bergman – “A Hora do Lobo”

    0

    Links para textos sobre os filmes de Ingmar Bergman:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2013/08/trilogia-do-silencio-atraves-de-um.html

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2013/08/trilogia-do-silencio-luz-de-inverno.html

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2013/08/trilogia-do-silencio-o-silencio.html

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2013/08/morangos-silvestres.html

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2013/08/fanny-e-alexander.html

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/03/ingmar-bergman-crise.html

    http://www.devotudoaocinema.com.br/2014/06/ingmar-bergman-o-rito.html

    A Hora do Lobo (Vargtimmen – 1968)

    Um pintor e sua esposa vão morar em uma ilha bastante
    afastada da sociedade. Lá, em meio a intensos conflitos psicológicos, o casal
    conhece um misterioso grupo de pessoas que passa a trazer angústias ainda
    maiores às suas vidas, levando-os a relembrar fatos passados e questionar a
    própria lucidez.

    A hora do lobo, o momento na madrugada em que muitas almas
    encontram o repouso final e outras despertam, tormento dos insones e daqueles
    cuja consciência pesa intranquila. Pessoas como Johan Borg, vivido por Max von
    Sydow, um pintor que busca inspiração para sua Arte, porém descobre-se
    perseguido por erros do passado. Sua esposa Alma, vivida por Liv Ullmann,
    guarda em seu ventre um ser puro, ainda intocado pela maldade, livre. O casal
    vive distante da sociedade, confinados em suas próprias almas. Acredito que
    Stephen King tenha utilizado esse filme como referência para seu livro: “O
    Iluminado”, pois tanto Borg quanto Torrance são artistas em crise, que se
    isolam e enfrentam fantasmas que os atormentam e os levam gradativamente à
    loucura.

    Bergman realiza essencialmente uma obra de terror, que
    possibilita diversas interpretações. Você pode vê-la como uma alegoria criativa
    sobre os efeitos da culpa em um ser humano, enxergando os vizinhos do castelo
    como projeções de uma mente intensamente perturbada, ou como um elegante filme
    sobre vampiros. Georg Rydeberg é quase um sósia de Bela Lugosi, o que não é
    mera coincidência. O diretor primava por deixar implícito o distúrbio mental de
    um personagem, porém, em “A Hora do Lobo”, ele faz questão de traduzir esse
    distúrbio em imagens perturbadoras, como se, pela primeira vez, com o auxílio
    de truques de câmera e maquiagem, estivesse decidido a fazer o público sentir o
    mesmo que o personagem, o objetivo essencial de todos os bons filmes de terror.
    Como em seu irmão cinematográfico: “Persona”, a trama incita o questionamento
    sobre se aquela realidade vivida pelos personagens, até mesmo o espaço em que eles
    habitam, sendo, por vezes, explicitamente filmado de forma surrealista, existe ou
    é fruto do distúrbio.

    RECOMENDAMOS


    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Please enter your comment!
    Please enter your name here