O Cordeiro (Kuzu – 2014)

O diretor turco Kutlug Ataman consegue utilizar um tema incomum como ponto de partida para um bem-humorado conto em tom de fabulesca simplicidade.

As famílias de uma pequena aldeia no leste da Anatólia se preparam para um ritual de circuncisão de seus filhos mais novos, uma cerimônia dispendiosa que causa conflitos e, no caso do pequeno Mert, vivido com graciosidade por Mert Tastan, profundo pavor, por ter acreditado na brincadeira de sua irmã, passando a pensar que será servido como refeição no banquete que tradicionalmente é servido na ocasião, já que sua família, muito pobre, não consegue encontrar um cordeiro.

Para o pai do menino, esta caçada é uma questão de honra, o que possibilita ao roteiro um aprofundamento nas alegorias sociais, já que a preocupação deixa de ser a importância transcendental do ritual na vida do menino, para gradualmente se tornar motivo de vergonha existencial, com a família preocupada com o que os outros irão pensar. É um conto moralista, mas que expõe seu discurso de forma bastante sutil, sem desvios excessivamente melodramáticos, conduzindo o público na maior parte do tempo pelo ponto de vista do imaginário infantil, como “Indomável Sonhadora”, “O Balão Branco” e “Os Meninos da Rua Paulo”.

É válido destacar o poético e melancólico desfecho, emoldurado pela bela fotografia de Feza Caldiran, ainda que contraste tematicamente com o distanciamento emocional que havia sido estabelecido, simbolizado especialmente pela ausência de uma trilha sonora em grande parte da obra.

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Viva você também este sonho...

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