Cine Bueller – “A Princesa do Nilo”

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    Link para os textos do especial nostálgico sobre os filmes da “Sessão da Tarde” e “Cinema em Casa”:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/p/cine-bueller.html

    A Princesa do Nilo (Princess of The Nile – 1954)

    É muito nostálgico rever filmes clássicos com essa temática,
    grande parte deles era exibido frequentemente na “Sessão da Tarde”. Aventuras
    curtinhas, o mocinho e o bandido bem definidos, com muitos duelos de espadas,
    mulheres lindas e dança do ventre. Somente os dois últimos elementos já
    garantiam a audiência na minha televisão quatorze polegadas, ainda mais quando
    eram protagonizados por Debra Paget. Claro que na época eu não a identificava
    pelo nome. Nunca me esqueço do impacto de sua dança no filme “O Sepulcro Indiano”,
    porém, ainda que mais comportada, prefiro sua desenvoltura corporal em “A
    Princesa do Nilo”, onde ela consegue ser sensual até mesmo enfrentando um
    agressor com sua espada.

    Jeffrey Hunter, que na época eu só identificava como o Jesus
    de “Rei dos Reis”, foi alvo de minha inveja por semanas. E ele tinha sorte
    mesmo, já que a opção inicial do estúdio para o papel da princesa egípcia Shalimar
    era Marilyn Monroe, ele não tinha como sair perdendo. Esse contrato ele assinou
    sorrindo, não tenho dúvida. O tom da trama é tão ingênuo que nenhum personagem
    consegue reconhecer que a princesa e a dançarina são a mesma pessoa, apenas por
    causa de um véu transparente no rosto. Eu tenho uma teoria válida: quando ela
    está disfarçada como dançarina, ninguém consegue tirar os olhos de suas pernas.
    Analisando hoje, percebo como a jovem era uma atriz limitada, o que acaba
    contrastando um pouco com a abordagem séria do protagonista. A famosa cena de
    dança, mesmo com os cortes que sofreu da censura da época, continua, por sorte,
    provocante demais para os padrões do início da década de cinquenta.

    A direção de Harmon Jones, que depois trabalharia em
    projetos televisivos, colabora com o cenário exótico, sempre um tom acima,
    entregando um clima farsesco, corroborado pela utilização deliciosamente
    equivocada de matte paintings pouco convincentes, aqueles cenários de fundo
    pintados, em diversas cenas que acabam parecendo teatro infantil de escola; longe
    de ser um defeito, o recurso acaba sendo um charme a mais nessa diversão
    despretensiosa. Ou talvez eu esteja defendendo o filme apenas pela presença
    estonteante da Debra Paget. Marcou minha cinefilia vespertina na infância.

    * O filme está sendo lançado em DVD pela distribuidora “Studio Classic Filmes”.

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    Octavio Caruso
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