“Dança Comigo?”, de Masayuki Suo

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Dança Comigo? (Shall We ダンス? – 1996)

Esse belo filme japonês, dirigido por Masayuki Suo, normalmente é eclipsado por sua inferior refilmagem norte-americana, um pecado, já que a trama do original exala sensibilidade, sem o apego melodramático das produções hollywoodianas.

Afirmar que se trata de uma história sobre dança seria reduzir a grandiosidade metafórica do roteiro, uma ode ao poder libertador daquele que se desprende de preconceitos em busca de uma forma única de autoexpressão. O protagonista, vivido por Kôji Yakusho, casado e com uma filha adolescente, exerce diariamente sua função em um trabalho burocrático que, em sua essência, desencoraja qualquer rompante que fuja do padrão monocromático de seu ambiente. O colega que esconde uma vida dupla se esforça para manter seu segredo no caminhar robótico por entre as mesas, um detalhe que também serve como alívio cômico.

Ao voltar pra sua casa, admirando a vista da janela do trem, ele se encanta com a figura melancólica de uma bonita professora de dança, vivida por Tamiyo Kusakari, num prédio próximo. Sem contar a ninguém sobre sua paixão platônica, o homem decide tomar coragem, saindo de seu caminho rotineiro, adentrando então na escola de dança, um ato que é tido pela fria sociedade japonesa como algo vergonhoso.

O primeiro aspecto fascinante no roteiro, o interesse principal dele, que vai além do encantamento pela beleza da professora, uma preocupação sobre os motivos que a tornaram melancólica, uma curiosidade sobre o que se esconde por trás dos olhos tristes daquela estranha. Ao subir as escadas sem disfarçar o nervosismo, o homem parece estar se aproximando de um bordel, um local proibido, uma coreografia que encontra rima visual num momento posterior, quando a esposa dele vai ao encontro de um detetive particular, suspeitando que o marido a está traindo.

Não demora muito para que o desejo carnal dê lugar ao amor genuíno pela dança, assim que ele faz amizade com as professoras e outros estudantes iniciantes. A aventura romântica deixa de objetivar a figura do outro, passando a ser uma exploração interna, um aprendizado sobre a necessidade do companheirismo, metáfora da dança da vida, sobre a importância de proteger a parceira e conquistar harmonia em grupo.

Sem efetivamente satisfazer sua paixão, ele aprende que no ato de respeitar e ser respeitado, na beleza da admiração mútua, pode estar encapsulado uma forma de amor muito mais plena e gratificante.

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