Cine Bueller – “A Flor do Pântano”, de Joseph Pevney

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    Link para os textos do especial:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/p/cine-bueller.html

    A Flor do Pântano (Tammy and The Bachelor – 1957)

    Não consigo ver esse filme, dirigido por Joseph Pevney, sem sentir a nostalgia da época
    em que ele passava na “Sessão da Tarde”. É um romance puro, não tão ingênuo
    quanto sua fama faz parecer, com um belo tema musical de Jay Livingston e Ray
    Evans que gruda na mente e que eu escutava em um LP da minha avó. É o símbolo
    da época de ouro em que a televisão aberta presenteava os espectadores com
    material dessa qualidade em um horário onde a família inteira podia ver
    reunida. Quem nunca se apaixonou por Debbie Reynolds? Eu já havia me apaixonado
    por ela em “Cantando na Chuva”, mas a personalidade de sua personagem em “A
    Flor do Pântano”, uma lolita do interior, era irresistível.

    A mensagem é
    simples, o clássico “não julgue alguém por sua aparência”, mas o que cativa é a
    execução, a química entre ela e o rapaz da cidade grande, vivido por Leslie
    Nielsen, um ano depois de sua participação no sci-fi: “Planeta Proibido”. Ao
    ser levada a deixar sua existência confortável no pântano com o avô, vivido por
    Walter Brennan, a jovem Tammy encontra moradia na mansão de um piloto mais
    velho, mas, com seu olhar aguçado e sua expressividade franca, acaba induzindo
    toda a família a enfrentar seus medos escondidos pelo véu do status social
    elevado. Nos diálogos cômicos, a ousadia que vencia a censura com inteligência,
    como na sequência em que os pais do rapaz são levados a crer que a menina é uma
    prostituta. O elemento da sexualidade está sempre presente, faz parte do
    amadurecimento da protagonista, com essa descoberta representada metaforicamente
    pela jornada dela nesse mundo novo. Quando ela surpreende a todos com um
    monólogo nascido de suas experiências únicas no pântano, em uma encenação de
    época na mansão para um grupo de visitantes, o piloto enxerga pela primeira vez
    a mulher fantástica que se escondia por trás daquele ser frágil que ele
    protegia até então. Ele troca a sofisticação vazia de sua namorada pela riqueza
    que encontra na verdade da menina, uma qualidade mal articulada, mas intensa.

    A
    trama tinha tudo pra ser sentimental em excesso, mas a escolha por retratar
    Tammy como uma força orgânica da natureza faz com que todas as suas atitudes
    soem críveis e encantadoras.

    * O filme, até então inédito em nosso home video, está sendo lançado em DVD pela distribuidora “Obras-Primas do Cinema”.

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    Octavio Caruso
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