Faces do Medo – “Corrente do Mal”, de David Robert Mitchell

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    Link para os textos do especial:

    http://www.devotudoaocinema.com.br/p/faces-do-medo.html

    Corrente do Mal (It Follows – 2014)

    Para a jovem Jay, de 19 anos, o outono deveria se concentrar
    na escola, nos meninos e nos fins de semana no lago. Mas, depois de um encontro
    sexual aparentemente inocente, ela se vê atormentada por estranhas visões e um
    sentimento constante de que alguém ou algo está seguindo-a. Confrontada com esse
    fardo, Jay, com a ajuda de seus amigos, deve encontrar uma maneira de escapar
    dos horrores que parecem estar a poucos passos de distância.

    O meu gênero de formação, como já mencionei várias vezes, é
    o terror. Em minhas listas de melhores filmes de cada ano, tento sempre reservar
    lugar para aquela grande obra que me renova a esperança de que há vida
    inteligente no horror cinematográfico, tão banalizado em produções cada vez
    mais infantis e imediatistas. Esse filme ocupou o décimo primeiro lugar na
    lista do ano passado, quase entrou na seleção oficial.

    A inspiração do jovem roteirista/diretor David Robert
    Mitchell foram os clássicos sci-fi das décadas de cinquenta e sessenta, como o
    livro “Os Invasores de Corpos”, de Jack Finney, e os filmes onde alienígenas
    tomam o corpo de humanos, como “A Ameaça Que Veio do Espaço”, de Jack Arnold. Ele
    driblou inteligentemente o baixo orçamento ao estabelecer que o instrumento do
    medo, o perigo que ronda os personagens, numa homenagem aos slashers oitentistas
    norte-americanos, seria representado por pessoas caminhando lentamente em
    direção à câmera. Essa opção conceitual rejeita a passividade usual do cinema, com
    o auxílio da profundidade de campo, estimulando no espectador a exploração
    dedicada em todas as cenas, com a atenção direcionada para além do que ocorre
    no primeiro plano, já que todos os que cruzam o cenário são altamente suspeitos.

    A trilha sonora com sintetizadores que remetem aos filmes
    adolescentes de terror das décadas de setenta e oitenta, aliada a algumas
    interpretações menos inspiradas e alguns alívios cômicos tolos, prejudicam um
    pouco o primeiro ato, mas a utilização da maldição que é passada adiante pela relação
    sexual engrandece o resultado, uma metáfora para o momento perturbador na vida
    dos jovens em que o presente deixa de ser uma festa ininterrupta e o futuro começa
    a se mostrar amedrontador. As responsabilidades da maturidade tomam a forma de
    vultos inabaláveis, a constatação de que todo ato gera uma consequência.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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