tokio drifter 02 - Você conhece a obra do diretor japonês Seijun Suzuki?

Tóquio Violenta (Tokyo Nagaremono – 1966)

Braço direito da Yakuza resolve abandonar a carreira criminosa com seu chefe, mas uma gangue rival não deixará que isso aconteça.

Em “Tóquio Violenta”, você percebe claramente que Suzuki obedecia regras próprias, uma espécie de Monte Hellman do cinema japonês. Ele transforma uma história simples de yakuza, subvertida em tom óbvio de paródia do gênero, em uma profusão de ideias muito criativas, buscando inspiração até mesmo nos faroestes de John Ford, reservando espaço para uma crítica ácida sobre um povo que absorvia gradativamente a cultura norte-americana, em detrimento de seus próprios valores.

Na experiência de imersão ele provoca o incômodo imediato, sequências de musical inseridas numa trama policial, a abertura monocromática que conduz ao vermelho sangue de um revólver quebrado de brinquedo, os interiores de um abstrato quase inacreditável em seu minimalismo, um tiroteio que é coreografado como teatro kabuki, o uso extravagante de cores berrantes, não são poucas as cenas que farão você provavelmente querer pausar o DVD e rever.

O todo não interessa ao Suzuki, o fiapo de estrutura narrativa serve de trampolim para ele brincar com a ferramenta, a psicologia dos personagens e suas motivações, nada disso importa, o destino sempre é menos interessante que a jornada. Recomendo que seja visto em sessão dupla com o moderno “Drive”, de Nicolas Winding Refn, que bebeu demais dessa fonte.

Shunpu den 1965 2 - Você conhece a obra do diretor japonês Seijun Suzuki?

História de Uma Prostituta (Shunpu Den – 1965)

Uma prostituta é humilhada por um oficial. Ela resolve se vingar, usando um soldado para provocar ciúmes no oficial.

Pode causar estranheza por ser o filme menos estilizado da caixa, a refilmagem de um projeto roteirizado por Akira Kurosawa no início da década de cinquenta, um melodrama antiguerra mais convencional, mas não menos brilhante, que foca sua atenção em uma protagonista cujas ações simbolizam a rejeição dos valores sociais, expondo a hipocrisia por trás dos rituais tradicionais, uma temática que se aproxima muito dos trabalhos de Mizoguchi.

É interessante perceber que a harmonia do casal, a prostituta e o soldado, encontra resistência na incapacidade dele de ir contra o absurdo código de conduta militar, alicerçado em um sentido muito equivocado de honra. A bela fotografia em preto e branco impressiona em sequências que carregam o traço autoral de Suzuki, como quando a mulher corre pelo campo de batalha para se encontrar com o amante ferido, ou no interlúdio onírico em que ela enxerga o soldado a caminho de sua salvação, em câmera lenta.

O filme é a adaptação de um livro de Taijiro Tamura, mesmo autor de “Portal da Carne”, e o roteiro trabalha muito bem a filosofia dele de que o corpo é tudo o que há, o que conduz a protagonista à compreensão de que somente através do prazer consequente do contato físico, através das sensações despertadas pelo sexo, ela pode realmente conhecer um indivíduo.

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Viva você também este sonho...

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