TOP – 2012

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    1 – As Aventuras de Pi (Life of Pi), de Ang Lee

    “… Pi foi uma criança indiana extremamente curiosa, como todas,
    disposta a não se contentar com apenas uma explicação para os muitos mistérios
    da vida. Com sua ingenuidade, aventurava-se nas histórias fantásticas que sua
    mãe lhe contava sobre os deuses do hinduísmo. Em uma atitude inconsequente,
    típica da idade, acaba conhecendo um porta-voz do catolicismo, que desnorteia
    sua mente ao inserir a presença de um único “Deus”, que havia enviado
    seu filho à Terra, para que sofresse pelos seres humanos, atitude que o menino
    considera ilógica. Ainda não satisfeito, o menino abraça o islamismo, fascinado
    por seus rituais. Ao ser questionado, afirma com convicção que a fé é uma
    “casa de muitos quartos”. Esses “quartos” podem possuir
    estilos arquitetônicos diferentes, serem pintados de cores radicalmente
    contrastantes, porém estão inseridos em uma mesma “casa”. As
    religiões foram formas que os homens criaram para tentar entender o
    inexplicável, iluminar a escuridão, que com o passar dos séculos, com a ajuda
    da ciência, torna-se cada vez menos amedrontadora. Todas elas são nascidas da
    mesma dúvida, do mesmo essencial questionamento: Quem nós somos? De onde
    viemos? Para onde vamos?…”

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    2 – Holy Motors, de Leos Carax

    “… O homem afirma que todos estão reclamando do evidente
    cansaço do ator: “Alguns não estão mais acreditando no que estão
    vendo”. Ele então responde: “Sinto falta das câmeras. Elas eram mais
    pesadas que nós, depois elas ficaram menores que nossas cabeças, mas hoje nem
    dá para vê-las mais. Eu também acho difícil acreditar em tudo isto”. O
    homem complementa afirmando que bandidos não precisam perceber as câmeras de
    segurança, para acreditarem que elas estão lá para flagrá-los no ato criminoso.
    O homem confronta em seu argumento a crença do diretor, representado pelo ator,
    nostalgicamente preso em uma realidade que não existe mais, questionando-o
    sobre a razão que o faz persistirno trabalho, mesmo desmotivado com este
    admirável mundo novo. O ator responde: “Aquilo que me instigou a iniciar
    nele, a beleza inerente à atuação”. Beleza esta que é subjetiva e
    necessita de pessoas interessadas, capazes, em percebê-la,
    valorizá-la.Sem um público qualitativo, criterioso, o soar da salva de
    palmas representará apenas a consequência sonora e mecânica do choque entre
    duas mãos…”

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    3 – A Separação (Jodaeiye Nader az Simin), de Asghar Farhadi

    “… O roteiro de Farhadi não é sobre os costumes de um povo, o
    drama familiar de uma separação conjugal, muito menos sobre com quem uma filha
    irá decidir ficar. O que está em jogo é algo de apelo universal: o
    questionamento de um modo de vida, colocando luz intensa nos cotidianos rituais
    que nos desumanizam.Nada nos é explicado sobre a relação deNadereSimin,
    somente somos levados a crer que havia extrema cumplicidade entre ambos e um
    agradável ambiente familiar. Ela busca ir embora, mas a trêmula mão do sogro,
    num estágio avançado de Alzheimer, tenta impedir. Nos momentos em que se sente
    indefeso, o fragilizado senhor chama repetidamente pelo nome da
    nora.Termeh, a abnegada filha pré-adolescente, se mantém próxima do pai,
    pois sabe que sua mãe nunca a deixaria. Enquanto ela se mantiver com seu pai,
    Simin poderá levar embora todos os seus pertences materiais, mas deixará seu
    coração, o que a fará eventualmente retornar. A mãe (reparem na forma como
    ofigurino revela seu desejo por livrar-se do ritual, mostrando sua
    silhueta em tons coloridos e optando por uma calça jeans) busca proteger sua
    filha, encaminhando-a para um futuro de mais possibilidades em outra cultura.
    Ficar ao lado do pai é abraçar o passado, encontrando como mulher o conforto
    possível nas lacunas de sua religião…”

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    4 – Moonrise Kingdom, de Wes Anderson

    “… Ao optar deixar de lado a visão cínica de mundo, onde cada passo parecia ser extremamente calculado, entregando-se à inocência passional do cineasta que Anderson provavelmente gostaria de
    ser quando criança, ele entrega um conto de maturidade muito original, caloroso e genuinamente engraçado…”

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    5 – Looper – Assassinos do Futuro (Looper), de Rian Johnson

    “… É tão difícil encontrar bons filmes atuais sobre viagens no tempo, a ficção científica normalmente está mais para a destruição em massa, do que para as reflexões existenciais suscitadas na literatura dos grandes autores, como Isaac Asimov e Philip K. Dick. Quando aparece um fenômeno criativo como “Looper”, ele precisa ser celebrado, questão de honra. O diretor presta uma interessante homenagem ao pouco conhecido “Primer”, de Shane Carruth…”

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    6 – A Invenção de Hugo Cabret (Hugo), de Martin Scorsese

    “… Scorsese entrega uma preciosidade atemporal, homenageando o legado inestimável do pioneiro Georges Méliès, resgatando a inocência elegante de um período em que a indústria cinematográfica respeitava mais o público infantil. Somente o cineasta, com seu belo caso de amor com a sétima arte, poderia ser capaz de adaptar a sensível obra de Brian Selznick…”

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    7 – Operação Invasão (Serbuan Maut), de Gareth Evans

    “… O roteiro
    é simples, o que facilita a inserção do maior número possível de exibições
    da técnica em lutas demoradas. A princípio, parece que se trata de mais um
    filme de ação no estilo americano, mas quando as metralhadoras são substituídas
    pelos punhos, percebemos que estamos diante de um novo clássico no gênero, obedecendo regras próprias…”

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    8 – Drive, de Nicolas Winding Refn

    “… Refn bebeu bastante na fonte do cultuado “Tokyo Drifter”, do japonês Seijun Suzuki, adaptando o ótimo livro de James Sallis, um retro-noir que melhora em revisão, quando o terrível elemento da expectativa é eliminado…”

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    9 – 2 Coelhos, de Afonso Poyart

    “… Trabalhado na cara e coragem, com divulgação inteligente nas redes sociais, esse fantástico trabalho de Poyart evidencia que existem possibilidades mais interessantes dentro do tímido gênero de ação nacional. O roteiro esperto utiliza várias referências da cultura pop, sem medo de arriscar, alicerçado na figura poderosa de Alessandra Negrini…”

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    10 – O Impossível (Lo Imposible), de J.A. Bayona

    “… As imagens que resistem na mente após a sessão não são do
    desastre em si, mas daqueles belos momentos em que completos estranhos se unem
    em perfeito uníssono na batalha catártica pela vida. Um dos melhores filmes em seu subgênero…”

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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