“Férias Frustradas de Natal”, de Jeremiah Chechik

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    Férias Frustradas de Natal (National Lampoon’s Christmas
    Vacation – 1989)

    A indústria de Hollywood já produziu diversos filmes com a
    temática natalina, mas é difícil encontrar roteiros realmente bons, para cada pérola
    como “A Felicidade Não Se Compra”, de Frank Capra, existem cinco bobagens
    inofensivas e/ou constrangedoras. Ao ler o conto original escrito por John
    Hughes, “Christmas 59”, inspirado nas lembranças de infância do querido e
    saudoso poeta da juventude, você sente a ternura nostálgica por trás de todas
    as peripécias cômicas. A adaptação consegue inserir esse tom mágico,
    especialmente na sequência que mostra o desastrado protagonista, vivido por
    Chevy Chase, preso no sótão da casa após tentar esconder os presentes dos
    filhos. Ele então encontra um velho projetor de Super 8, com um registro em
    vídeo de um Natal de sua adolescência. Ao som da belíssima “That Spirit of
    Christmas”, na voz de Ray Charles, vemos o personagem vulnerável, humano, algo
    raro na franquia, genuinamente emocionado com o resgate. A resolução hilária da
    cena não consegue apagar a pureza do sentimento.

    As loucuras da família Griswold
    para alcançar seus objetivos nunca foram tão bem fundamentadas, Clark,
    insatisfeito profissionalmente, desejava desesperadamente reencenar a atmosfera
    da cerimônia de outrora como forma de tentar revisitar a paz de uma época livre
    de maiores preocupações. Não é simples saudade do ritual coletivo, ele adentrou
    o universo da maturidade cheio de sonhos e descobriu que a estabilidade
    profissional é uma prisão elegante. Da mesma maneira que a jornada para visitar
    o parque “Walley World” no filme original, o leitmotiv do desconforto do adulto
    com o sistema entrega camadas de interpretação que engrandecem a obra. A
    frustração com o bônus financeiro tão aguardado acaba explicitando o descaso, a
    falta de empatia do patrão com o empregado, apenas mais um número na
    estatística da empresa, alguém cujo nome é frequentemente trocado sem qualquer senso
    de remorso. Outro ponto bonito que pode passar despercebido é a evolução na
    relação entre Clark e seu aborrecido sogro, a figura que sempre tem algo
    depreciativo a dizer, como ao desconsiderar todos os esforços dele na montagem
    da iluminação externa, mas que, no apoteótico final, quando mais uma vez a
    família se vê envolvida em um crime, faz questão de ser o primeiro a se
    levantar do sofá para o apoiar. Vale ressaltar a direção segura de Jeremiah
    Chechik, em seu primeiro trabalho, comandando com tranquilidade um elenco de
    peso, com veteranos respeitados como John Randolph, E.G. Marshall, Mae Questel,
    Diane Ladd e Doris Roberts, dividindo espaço com jovens talentos que viriam a
    ser reconhecidos na área, como Juliette Lewis e Johnny Galecki.

    Uma comédia deliciosa que segue eficiente após várias revisões, um jovem clássico no gênero, obrigatório nessa época do ano.

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    Octavio Caruso
    Viva você também este sonho...

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