O valor da integridade em “12 Homens e Uma Sentença”, de Sidney Lumet

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12 Homens e Uma Sentença (12 Angry Men – 1957)

É possível escutar os tambores de guerra no horizonte,
vivemos tempos sombrios, líderes políticos promovendo ódio, segregação cruel,
valores invertidos em todos os níveis da sociedade, medo e dor, angústia e
fome, o mundo parece estar nas mãos de loucos e psicopatas, o apedrejamento
nunca foi tão incentivado nas redes sociais, justiceiros virtuais que
compartilham notícias falsas e são facilmente manipulados, aderindo a modismos
imediatistas, frases repetidas pelo prazer de se sentir parte da manada, gostos
moldados servindo aos interesses dos titereiros, vivemos a era da informação ao
alcance de todos, mas grande maioria do povo perdeu o elemento fundamental do
interesse.

Um adulto alfabetizado que enxerga alguma verdade na
estratégia torpe de um programa televisivo que melhora seus pontos de audiência
com uma polêmica grosseiramente engendrada. Um jovem alfabetizado que aplaude
fervorosamente um político estúpido defensor do clássico “direitos humanos para
humanos direitos”. Figuras que respiram, comem, caminham e falam, mas não
passam de zumbis em estado vegetativo, intelectualmente vazios. O mundo precisa
urgentemente de pessoas como Davis, o personagem vivido por Henry Fonda.

O roteiro gira em torno do julgamento de um jovem
porto-riquenho que é acusado de ter matado o próprio pai. Doze jurados são
convocados para decidir a sentença. Onze deles, movidos por razões egoístas e
por puro preconceito, votam sem pensar duas vezes pela condenação. O jurado
número oito (Fonda) é um homem de caráter íntegro, ele acredita que o jovem
deve ser considerado inocente até que se prove o contrário. Os seus colegas se
revoltam com essa atitude, a pequena sala de júri é abafada, o calor
intensifica os ânimos. Não há qualquer senso de empatia deles pelo rapaz, uma
vida dispensável, o estranho responsável por aquela tarde perdida. A voz
dissonante é a mais baixa na mesa, o homem introvertido, elegante, de poucos
gestos, o rebelde que pede apenas para que seus pares argumentem, dedicando
tempo ao caso, atenção sincera, em suma, um clamor por humanidade.

O senso comum forja verdades frágeis, convicções são
alimentadas por sentimentos pequenos, a memória é capaz de criar situações
impossíveis, as provas teoricamente inabaláveis podem ser aniquiladas caso
analisadas por outro ponto de vista, o ser humano enxerga aquilo que quer ver,
projetando no outro as suas frustrações e desejos mais íntimos. O brilhante
diretor Sidney Lumet, trabalhando o roteiro de Reginald Rose, reduz ao máximo o
espaço cênico, a trama se passa quase que inteiramente nesse único local, uma
decisão muito acertada. O suspense é estruturado nos diálogos, no embate franco
de ideias. A solução se dá a partir do questionamento, recurso cada vez mais
raro em nossa sociedade.

É fundamental que os seres humanos despertem desse coma
existencial, não é possível que essa tragédia anunciada não possa ser evitada.
A minha esperança reside naquele indivíduo que, contra todas as probabilidades,
levanta a mão e pede a palavra, ousando confrontar o pensamento medíocre
dominante.

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Octavio Caruso
Viva você também este sonho...

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